Abordagem da hipoxemia: passos essenciais para avaliação

Abordagem da hipoxemia: passos essenciais para avaliação
4 min

Saiba como realizar a abordagem da hipoxemia para uma avaliação rápida e eficaz.


Preciso intubar agora?

Antes de qualquer decisão, é essencial avaliar se a intubação imediata é necessária.

As indicações incluem:

  • hipoxemia refratária
  • não proteção de vias aéreas
  • curso clínco desfavorável

Há obstrução da via aérea superior?

Realizar uma avaliação ativa para identificar sinais como estridor, angioedema e excesso de secreção.

Considerar diagnósticos diferenciais, como corpo estranho, anafilaxia ou obstrução por tampão mucoso (especialmente em pacientes intubados).

O problema está no pulmão ou na pleura?

O próximo passo é investigar alterações pulmonares ou pleurais por meio de exames de imagem, como raio-x, ultrassom ou tomografia.

Aqui, diferenciamos as possíveis alterações:

Pulmão Pleura
Fluído Edema agudo de pulmão Transudato
Pus ou proteína Infecção/inflamação (SARA) Exsudato ou quilotórax
Sangue Hemorragia alveolar Hemotórax
Ar Muito ar: obstruções
Pouco ar: atelectasia
Pneumotórax

Houve resposta ao aumento de oxigênio?

Se as causas relacionadas às vias aéreas superiores, pulmonares ou pleurais já foram excluídas, é hora de verificar se o paciente respondeu ao aumento do oxigênio.

Se houver aumento da saturação é necessário calcular o gradiente alvéolo-arterial (GA-a).

  • GA-a aumentado: TEP.
  • GA-a normal: Hipoventilação.

Como calcular o gradiente alvéolo-arterial?

  • Ar ambiente, nível do mar: 150 - 1,25xpCO2 - PaO2
  • Ar ambiente, São Paulo: 130 - pCO2 - PaO2
  • Limite superior da normalidade: (Idade/4) + 4

Fórmula completa:

(FiO2%/100) x (Patm - 47 mmHg) - (PaCO2/0.8) - PaO2

Comparar saturação periférica com a da gasometria

Caso o paciente não tenha respondido ao oxigênio suplementar, é crucial comparar a saturação periférica com a gasometria. Diferencie os cenários:

  • Diferença < 5: indica a presença de um shunt, como síndrome hepatopulmonar ou shunt intracardíaco.
  • Diferença > 5: sugere dishemoglobinemias, como carboxihemoglobina ou metahemoglobinemia.

Resumindo

  1. Necessito IOT agora?
  2. Obstrução de via aérea superior?
  3. Parênquima ou pleura afetados?
  4. Se responde ao aumento do O2
    • GA-a aumentado = TEP
    • GA-a normal = hipoventilação
  5. Se não responde, calcular a diferença de satuarção periférica e da gasometria
    • < 5 = Shunt
    • > 5 = Dishemoglobinemias

Para saber mais

Ouça nossa discusão sobre um caso clínico de hipoxemia:

Referências

  1. MARINACCI, Lucas X. et al. Case 38-2020: A 52-Year-Old Man with Cancer and Acute Hypoxemia. New England Journal of Medicine, v. 383, n. 24, p. 2372-2383, 2020.
  2. Sarkar M, Niranjan N, Banyal PK. Mechanisms of hypoxemia. Lung India 2017;34:47-60.
  3. Sood, S ; Evaluation and management of the nonventilated, hospitalized adult patient with acute hypoxemia. UpToDate 2022
  4. Theodore C A ; Measures of oxygenation and mechanisms of hypoxemia. UpToDate 2022

Como citar este artigo

TdC. Abordagem da hipoxemia: passos essenciais para avaliação. Blog TdC. Atualizado em 27/09/2024. Disponível em: https://www.tadeclinicagem.com.br/blog/abordagem-da-hipoxemia-passos-essenciais-para-avaliacao/.

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