Doenças Comuns da Mão

Criado em: 01 de Agosto de 2022 Autor:

As condições osteomusculares da mão são comuns e incapacitantes. Aproveitando uma revisão recente do Journal of American Medical Association (JAMA) sobre o tema, vamos revisar o diagnóstico e tratamento das principais condições nesse cenário [1].

Síndrome do Túnel do Carpo (STC)

Causada pela compressão do nervo mediano pelo ligamento transverso do carpo no punho. É a neuropatia compressiva mais comum dos membros superiores. Ocupações que envolvem tarefas manuais aumentam o risco. Pessoas que trabalham em escritórios por mais de 4 horas, em especial com computador e mouse, têm maior prevalência de STC.

Os sintomas ocorrem na topografia do nervo mediano - do polegar até a metade radial do dedo anelar. Parestesias, hipoestesias, dor e fraqueza são sintomas possíveis. Despertar noturno com dormência nessa região é uma característica típica de STC. O escore CTS-6 (tabela 1) utiliza 6 itens e tem alta sensibilidade (> 85%) e especificidade (95%). Quando maior que 12 representa uma probabilidade de mais de 80% de STC. Nesse cenário, o diagnóstico pode ser feito sem eletroneuromiografia (ENMG). Em caso de dúvida diagnóstica, ENMG e ultrassonografia (USG) podem ajudar. O cirurgião de mão também pode solicitar a ENMG para planejamento cirúrgico.

Tabela 1
CTS-6 - Ferramente diagnóstico para Síndrome do Tunel do Carpo
CTS-6 - Ferramente diagnóstico para Síndrome do Tunel do Carpo

O tratamento conservador envolve a imobilização do punho na posição neutra no período noturno. Mudança das atividades e exercícios que facilitam o deslizamento do nervo podem ser tentados.

Injeções de corticoide melhoram os sintomas durante algumas semanas, mas não tem efeito duradouro. São boas opções para pacientes grávidas, já que o quadro costuma se resolver no pós parto.

O paciente deve ser encaminhado para o cirurgião de mão em duas situações:

  • Ausência de resposta com tratamento conservador em 6 semanas.
  • Anestesia/hipoestesia constantes ou atrofia da musculatura tenar.

Dedo em Gatilho (DG) ou tenossinovite estenosante

Ocorre quando há discrepância entre a bainha do tendão (estreita) e o tendão (largo) de flexão ou extensão dos dedos. O dedo mais acometido é o anelar, predominando em mulheres e pessoas com diabetes.

Dor na região distal da palma do dedo afetado, crepitações com o movimento e nódulos dolorosos palpáveis no tendão são achados descritos. Casos avançados vem com restrição ao movimento e bloqueio do dedo em flexão.

O tratamento conservador envolve modificação das atividades, imobilização e injeção de corticóides. A órtese para imobilização pode ser colocada tanto na metacarpofalangeana em extensão quanto na interfalangeana distal em extensão. A órtese metacarpofalangeana é melhor tolerada.

O paciente deve ser encaminhado ao cirurgião se houver restrição ao movimento, preferência por injeção de corticóide ou ausência de resposta ao tratamento conservador em 6 semanas.

Tenossinovite de De Quervain (TDQ)

Caracterizada por dor e edema na porção radial do punho, agravada pela movimentação do polegar. A manobra de Filkenstein ajuda a confirmar o diagnóstico. Essa manobra consiste em fechar a mão com o polegar na palma da mão e desviar o punho no sentido ulnar. Considerada positiva quando reproduz os sintomas, tem alta especificidade.

A causa é incerta, mas acredita-se que alterações degenerativas da bainha do extensores do polegar contribuam para o quadro. Um aumento da prevalência foi descrito em populações mais jovens associado ao uso de smartphones.

O manejo conservador envolve anti-inflamatórios não esteroidais, imobilização e injeção de corticoides. O tratamento cirúrgico está indicado na falha das terapias conversadoras.

Osteoartrose da base do polegar (OBP) ou Rizartrose

Causado por alterações degenerativas na cartilagem entre o osso trapézio e a base do metacarpo do polegar. Isso causa subluxação e instabilidade sintomáticas.

A principal queixa é dor na base do polegar em movimentos como pinça, torção e segurar objetos. Ao exame, é comum encontrar dor na palpação da articulação. Quadros mais avançados vem com proeminência da região dorsorradial como consequência de subluxação.

Manobras como moedor axial e tração auxiliam no diagnóstico. A manobra do moedor axial consiste em estabilizar o dedo com uma mão enquanto rotaciona o dedo para trás e para frente com a outra (como se o dedo fosse um moedor de pimenta). Na manobra de tração, o examinador traciona o metacarpo e alterna subluxação com redução da articulação. Ambas são positivas quando reproduzem os sintomas.

A radiografia confirma a degeneração articular.

O tratamento inicial é conservador. Evitar atividades que pioram os sintomas, preferir ferramentas do que as próprias mãos, imobilização, analgésicos e injeção de corticóides são opções. Esses tratamentos aliviam sintomas, mas não alteram o curso da doença. Pomadas de anti-inflamatórios têm menos efeitos colaterais sistêmicos e podem ser tentadas.

A cirurgia melhora a função e a dor. Várias técnicas são descritas, não sendo demonstrado até então uma superior.

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