Atualização de Asma: GINA 2025

Criado em: 13 de Outubro de 2025 Autor: Luciano Moura de Assunção Revisor: Marcela Belleza

A Global Initiative for Asthma (GINA) publica anualmente recomendações atualizadas para o manejo da asma. A edição de 2025 trouxe avanços relevantes, como um novo apêndice dedicado aos biomarcadores da inflamação tipo 2, além de mudanças terapêuticas e diagnósticas. Este tópico apresenta as principais atualizações da publicação [1].

O Guia já abordou publicações prévias da GINA em "Asma - GINA 2023" e "Atualização de Asma: GINA 2024".

Mudanças na terminologia do diagnóstico de asma

O novo documento enfatiza uma mudança na terminologia que envolve o diagnóstico de asma. O termo “limitação variável ao fluxo aéreo expiratório” foi modificado para “variação no fluxo expiratório”. Essa alteração busca alinhar as definições clínicas aos parâmetros espirométricos.

O termo anterior sugeria que, para confirmar o diagnóstico, seria necessário demonstrar limitação ao fluxo aéreo expiratório (redução de VEF₁/CVF abaixo do limite esperado). Porém, pacientes com asma podem apresentar função pulmonar normal em determinados momentos, especialmente quando assintomáticos ou sob tratamento.

A nova terminologia, “variação no fluxo expiratório”, enfatiza o diagnóstico de asma com base na variabilidade da função pulmonar expiratória (VEF₁ ou PFE, pico de fluxo expiratório), considerando melhora ou piora, independentemente da presença de limitação no momento da avaliação. O foco passa a ser a flutuação dos valores da função pulmonar, e não a obstrução obrigatória. 

A variabilidade pode ser demonstrada por diferentes métodos: resposta ao broncodilatador, monitorização seriada do PFE, teste de provocação, melhora da função pulmonar após tratamento com corticoide inalatório (CI) ou variação entre visitas (tabela 1).

Tabela 1
Confirmação de fluxo expiratório variável.
Confirmação de fluxo expiratório variável.

Asma grave e inflamação tipo 2

Definições: asma não controlada, asma difícil de tratar e asma grave

A confirmação diagnóstica de asma grave deve ser realizada apenas após avaliação do especialista. As definições de asma não controlada, asma de tratamento difícil e asma grave estão na tabela 2 [1]. 

Tabela 2
Asma não controlada, asma de tratamento difícil e asma grave - definições GINA 2025.
Asma não controlada, asma de tratamento difícil e asma grave - definições GINA 2025.

O objetivo dessa mudança do novo documento é separar os casos de asma grave daqueles em que os sintomas ou exacerbações são explicados por fatores confundidores, como:

  • Técnica inalatória inadequada, que afeta até 80% dos pacientes na comunidade [2].
  • Baixa adesão à medicação [3].
  • Diagnóstico incorreto de asma, com sintomas devidos a condições alternativas, como obstrução laríngea induzível, insuficiência cardíaca ou falta de condicionamento físico [1].
  • Comorbidades, como rinossinusite, doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), depressão, obesidade e apneia obstrutiva do sono [4,5].
  • Exposição contínua a agentes sensibilizantes ou irritantes no domicílio ou ambiente de trabalho [1].

Em uma coorte realizada na Holanda, apenas aproximadamente um quarto dos pacientes classificados com asma de tratamento difícil apresentavam, de fato, asma grave, o que reforça a importância dessa diferenciação [6].

Inflamação tipo 2

Evidências de inflamação tipo 2 são observadas na maioria dos pacientes com asma grave. Os principais biomarcadores da inflamação tipo 2 na asma são a fração de óxido nítrico expirado (FeNO, do inglês fractional exhaled nitric oxide) e a contagem de eosinófilos no sangue (CES) [1].

Após o início ou a otimização do tratamento com corticosteroides inalatórios, espera-se redução dos níveis desses marcadores. Eles podem ser utilizados para monitorar a adesão ao tratamento, a resposta terapêutica aos CI e o prognóstico em pacientes com asma. A persistência de níveis elevados, especialmente com prescrição em doses moderadas ou altas, sugere má adesão, técnica inalatória inadequada e maior risco de exacerbações graves [1,7,8]. 

Nesses casos, antes de aumentar a dose, é fundamental verificar a adesão e a técnica inalatória [1].

Um único valor baixo de FeNO ou CES não exclui esse fenótipo, pois podem ocorrer variações ao longo do tempo ou a supressão dos marcadores pelo uso de corticoide oral [9].

Na asma grave com exacerbações, apesar do uso de altas doses de CI associadas a beta2-agonista de longa ação (LABA, do inglês long-acting beta2-agonist), os biomarcadores podem auxiliar na escolha da terapia biológica. Uma CES elevada prediz melhor resposta ao tratamento com todos os biológicos atualmente aprovados para a asma. Um FeNO elevado está associado a uma melhor resposta a dupilumabe, omalizumabe e tezepelumabe. [10-12]. 

Sempre que possível, recomenda-se repetir esses testes até três vezes (em situações de piora da asma, antes do início do corticoide oral, pelo menos 1 a 2 semanas após um ciclo ou quando o paciente estiver na menor dose possível), antes de concluir que não há elegibilidade para terapia biológica direcionada ao tipo 2 [1].

No Brasil, o acesso ao FeNO ainda é restrito aos grandes centros, o que limita seu uso rotineiro. 

Mudanças terapêuticas

O novo documento mantém as recomendações e a abordagem do tratamento da asma em duas vias (figura 1). A via preferencial (track 1) é baseada no uso de formoterol, enquanto a via alternativa (track 2) não utiliza o formoterol. As duas vias são divididas em níveis de escalonamento da terapia (steps). Veja mais em "Asma - GINA 2023".

Figura 1
Opções de tratamento na asma.
Opções de tratamento na asma.

Nessa figura, as terminologias “medicação de alívio anti-inflamatória” (AIR, do inglês anti-inflammatory reliever) e “terapia de manutenção e alívio” (MART, do inglês maintenance-and-reliever therapy) ganharam destaque na Track 1. A tabela 3 apresenta as terminologias das medicações para asma [1]. 

Tabela 3
Classificação do tratamento na asma.
Classificação do tratamento na asma.

Step 4 da Track 2 - Menores doses de corticoide inalatório

A principal mudança terapêutica do novo documento ocorreu no Step 4 da Track 2, que utiliza beta2-agonista de curta ação (SABA, do inglês short-acting beta2-agonist) como medicação de alívio e CI-LABA (corticoide inalatório associado a beta2-agonista de longa ação) como manutenção. Houve uma redução na dose de CI, passando a ser recomendadas apenas doses médias, e não mais médias a altas, em combinação com LABA (tabela 4). 

Tabela 4
Doses diárias baixas, médias e altas de corticoides inalatórios - adultos e adolescentes (12 anos ou mais).
Doses diárias baixas, médias e altas de corticoides inalatórios - adultos e adolescentes (12 anos ou mais).

Essa alteração reforça a ênfase de longa data da GINA em minimizar a exposição aos efeitos adversos de altas doses de CI [1].

Fenoterol não recomendado

Fenoterol (Berotec®) foi incluído na lista de medicamentos não recomendados para o tratamento da exacerbação da asma. A recomendação se baseia no risco aumentado de efeitos adversos, como hipocalemia e complicações cardiovasculares, além de sua associação com maior mortalidade por asma [13].

Ventilação não invasiva na exacerbação de asma

Uma revisão sistemática com meta-análise publicada em 2025 sugere que o uso de ventilação não invasiva (VNI) associado ao tratamento de exacerbações pode reduzir a progressão do paciente para intubação orotraqueal [14]. No entanto, a qualidade da evidência era baixa devido à limitação dos ensaios clínicos analisados. Apenas estudos retrospectivos observaram uma associação entre o uso de VNI e a redução da mortalidade [15,16].

Devido ao papel incerto da VNI nas exacerbações graves de asma, o documento da GINA não apresenta uma recomendação específica para o seu uso [17].

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Revisão 31 de Julho de 2023
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  • Steps 3 e 4
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