Cardiologia: Escolha dos Editores 2025
Esse especial de fim de ano reúne os melhores conteúdos de cardiologia publicados no Guia em 2025, selecionados por impacto na prática dos assinantes. Atualizações que mudam conduta, revisões objetivas e pontos-chave.
Dor Torácica no Pronto-Socorro: Diretriz Brasileira de 2025
Veja o tópico "Dor Torácica no Pronto-Socorro: Diretriz Brasileira de 2025" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:
- A abordagem à dor torácica aguda na emergência é constituída por 4 passos essenciais: avaliação inicial e eletrocardiograma; condução dos pacientes instáveis; aplicação de escores de risco; escolha por estratificação não invasiva.
- A nova diretriz brasileira de 2025 é o primeiro documento a recomendar a avaliação do ECG para além do supradesnivelamento do segmento ST. Deve-se avaliar o ECG considerando padrões sugestivos de oclusão coronariana aguda associada a piores desfechos. Veja os padrões de ECG descritos na diretriz aqui.
- Para pacientes instáveis com dor torácica no serviço de emergência, a diretriz brasileira recomenda o uso do POCUS para avaliação de diagnóstico diferencial e tomada de conduta.
- Deve-se evitar o uso de termos como dor torácica "atípica" ou classificar a dor em tipos A/B/C/D. O recomendado é o uso de escores de risco e fluxograma protocolar para tomada de decisão.
Novo Paradigma de Infarto: Oclusão Coronariana Aguda
Veja o tópico "Novo Paradigma de Infarto: Oclusão Coronariana Aguda" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:
- O diagnóstico de IAM é feito por variação dos níveis de troponina associado a evidências clínicas, eletrocardiográficas ou de imagem sugestivas de isquemia miocárdica aguda. Atualmente, para definir IAMCSST, é necessário um dos seguintes critérios: nova elevação do segmento ST em pelo menos duas derivações contíguas ≥ 1 mm em todas as derivações, exceto V2 e V3; novo bloqueio de ramo. Em V2 e V3, os cortes variam conforme gênero e idade.
- A classificação baseada no supradesnivelamento do segmento ST busca identificar pacientes que provavelmente possuem oclusão coronariana e define conduta terapêutica (trombólise), no entanto possui limitações quanto a sua acurácia. Outras condições causam supradesnivelamento de ST e é possível ter oclusão coronariana aguda sem supradesnivelamento. Um novo paradigma na abordagem do infarto foi elaborado para tentar superar essas limitações. A nova proposta divide síndromes coronarianas em OCA (oclusão coronariana aguda) e NOCA (não-oclusão coronariana aguda).
- Outros padrões eletrocardiográficos sem supradesnivelamento de ST se relacionam à OCA. Apesar da incorporação desse novo paradigma na recente diretriz brasileira de SCA, ainda não há recomendações para o uso de trombolíticos em pacientes que se enquadram em critérios de OCA sem supradesnivelamento de ST.
Síndromes Coronarianas Agudas - Diretriz AHA/ACC 2025
Veja a revisão "Síndromes Coronarianas Agudas - Diretriz AHA/ACC 2025" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:
- A nova diretriz da AHA sobre síndrome coronariana aguda (SCA) agrupa os cenários de infarto agudo do miocárdio (IAM) com supradesnivelamento de ST, sem supradesnivelamento de ST e angina instável. A definição de IAM é composta pela evidência de injúria miocárdica (curva de troponina) associada a sinais/sintomas de isquemia aguda ou achados eletrocardiográficos (ECG) ou de imagem sugestivos de obstrução de coronária.
- Na suspeita de SCA, um ECG de 12 derivações deve ser realizado imediatamente e interpretado em até 10 minutos. O HEART pathway auxilia no processo de tomada de decisão. Pacientes devem receber AAS e suplementação de O2 na suspeita de SCA. A decisão pelo segundo antiplaquetário depende da estratégia de reperfusão escolhida.
- A terapia de reperfusão por intervenção coronariana percutânea com stent (ICP) é a preferencial para todo paciente com IAM-CSST. Para pacientes com SCA-SSST, o momento da ICP depende do risco do paciente. A terapia fibrinolítica está reservada apenas para pacientes com IAM-CSST e deve ser realizada em até 30 minutos caso não seja possível realizar ICP localmente ou transferência com duração maior que 120 minutos. O trombolítico deve ser administrado em pacientes com início de sintomas em menos de 12 horas.
- A cirurgia de revascularização do miocárdio é uma opção para a minoria de pacientes com SCA. Possui maior valor em pacientes com SCA-SSST, sendo uma opção para IAM-CSST, caso a ICP não seja possível por razões anatômicas ou não for bem sucedida.
- Pacientes com SCA devem realizar DAPT e anticoagulação parenteral. Pacientes que realizaram trombólise e preencheram critérios de reperfusão, possuem indicação de realizar avaliação adicional com ICP em até 24 horas (estratégia farmacoinvasiva). Pacientes que não preencheram critérios de reperfusão devem ser imediatamente transferidos para realização de ICP.
- Pacientes com IAM-SSST possuem risco intermediário e devem realizar estratégia de estratificação invasiva.
- A nova diretriz reitera o uso de DAPT após o evento, associando IECA ou BRA em pacientes com fatores de alto risco, terapia para dislipidemia e considerar a introdução de colchicina em doses baixas. Deve-se atentar para o risco de complicações mecânicas ou elétricas, assim como risco de pericardite ou trombo no ventrículo esquerdo.
Atualizações em Hipertensão Arterial Sistêmica: Diretrizes da AHA e SBC de 2025, e ESC de 2024
Veja o tópico "Atualizações em Hipertensão Arterial Sistêmica: Diretrizes da AHA e SBC de 2025" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:
- A nova diretriz da AHA sugere uma estratégia de rastreio amplo de hiperaldosteronismo primário (HAP) para todos os pacientes com HAS. A suspeita aumenta conforme o grau de hipertensão: pacientes com PA > 140/90 mmHg possuem incidência de HAP semelhante a pacientes com hipertensão resistente, cerca de 22%.
- Pacientes com PAS ≥ 130 e/ou PAD ≥ 80 mmHg devem iniciar tratamento medicamentoso se apresentarem: IC, AVC, DAC, Diabetes ou DRC. Pacientes sem comorbidades devem realizar estratificação de risco cardiovascular pelo escore PREVENT. A AHA recomenda início de anti-hipertensivos em pacientes com PREVENT com risco cardiovascular ≥ 7,5% em 10 anos. A SBC recomenda início de terapia em pacientes com PREVENT com risco cardiovascular > 20%, compartilhando a possibilidade do início após uma tentativa de MEV por 3-6 meses.
- Pacientes com hipertensão resistente devem investigar causas secundárias e ter a prescrição revista em busca de possíveis interações medicamentosas que diminuam o efeito dos anti-hipertensivos. As causas secundárias de hipertensão mais prevalentes são: apneia obstrutiva do sono (25-50%), DRC (14%) e hiperaldosteronismo primário (5-25%).
Atualização da ESC 2025 sobre a Diretriz de Dislipidemias
Veja o tópico "Atualização da ESC 2025 sobre a Diretriz de Dislipidemias" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:
- A atualização da diretriz de dislipidemia de 2025 da ESC reforça que a redução de LDL é o foco principal do tratamento de dislipidemia. A lipoproteína(a) possui associação com risco cardiovascular, principalmente com valores acima de 50 mg/dL, no entanto, a diretriz enfatiza que a solicitação de lipoproteína(a) não substitui os valores de LDL como alvo na terapia para redução de risco cardiovascular.
- O primeiro passo na abordagem é a estratificação de risco do paciente. A atualização da diretriz sugere o uso das calculadoras SCORE 2 e SCORE2-OP para pacientes sem doença cardiovascular conhecida ou uso prévio de estatinas.
- O alvo de LDL varia conforme a classificação de risco. A atualização de 2025 recomenda:
- Baixo risco: LDL abaixo de 116 mg/dL;
- Moderado risco: LDL abaixo de 100 mg/dL;
- Alto risco: LDL abaixo de 70 mg/dL;
- Muito alto risco: LDL abaixo de 55 mg/dL;
- Extremo risco: LDL abaixo de 40 mg/dL.
- A terapia de escolha são as estatinas. Estatinas de alta potência (por ex.: rosuvastatina 20 a 40 mg e atorvastatina 40 mg a 80 mg) são recomendadas para todos os pacientes considerados de alto risco e muito alto risco.
- A diretriz sugere para pacientes que não atingiram o alvo em 4-6 semanas com o máximo de dose tolerada de estatina: ezetimiba, inibidor de PCSK9 ou ácido bempedoico. Para pacientes com contraindicações à estatina, a recomendação é o uso de ácido bempedoico.
Aproveite e leia
- Definições, principais causas e protocolo de dor torácica
- Passo 1: avaliação inicial e eletrocardiograma
- Passo 2: pacientes instáveis
- Passos 3 e 4: escores de risco e estratificação não invasiva
- Rastreio de hiperaldosteronismo primário
- Estágios de hipertensão e metas pressóricas
- Hipertensão resistente e denervação renal
- Abordagem de dislipidemia
- Estratificação de risco
- Alvo de Tratamento
- Início de terapia e outras opções além da estatina
- Outras recomendações
- Definição de síndrome coronariana aguda
- Diagnóstico e avaliação inicial
- Estratégias de reperfusão/revascularização
- IAM com supradesnivelamento do segmento ST: tratamento
- SCA sem supradesnivelamento do segmento ST: manejo
- Cuidados após terapia inicial
- Complicações
- Infarto com e sem supradesnivelamento do segmento ST
- Problemas com a abordagem atual
- Padrões eletrocardiográficos de oclusão coronariana aguda
- Conduta segundo o paradigma de oclusão coronariana