Medicina de Emergência, Intensiva e Hospitalar: Escolha dos Editores 2025

Criado em: 29 de Dezembro de 2025 Autor: João Mendes Vasconcelos Revisor: Nordman Wall

Esse especial de fim de ano reúne os melhores conteúdos de medicina de emergência, intesiva e hospitalar publicados no Guia em 2025, selecionados por impacto na prática dos assinantes. Atualizações que mudam conduta, revisões objetivas e pontos-chave.

ACLS 2025: Consensos Americano e Europeu

Veja a revisão "ACLS 2025: Consensos Americano e Europeu" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • O suporte básico de vida, constituído pelas manobras de compressão cardíaca, ventilação e desfibrilação precoce, é a intervenção mais importante na PCR extra-hospitalar. A AHA pontua que as prioridades no atendimento de uma PCR são: desfibrilar um ritmo chocável precocemente; iniciar manobras de compressão cardíaca de alta qualidade e identificar a etiologia de PCR.
  • A primeira conduta diante de uma suspeita de PCR é acionar ajuda, direcionando alguém a buscar um desfibrilador externo automático (DEA) e a comunicar o serviço de emergência. Após o pedido de ajuda, deve-se verificar um pulso central, como o carotídeo, por pelo menos 5 segundos e, no máximo, 10 segundos. Na ausência de pulso, as compressões torácicas devem ser iniciadas imediatamente, seguindo a sequência C-A-B (compressões, via aérea, ventilação). Caso a ventilação não seja possível, as compressões devem ser mantidas continuamente, reduzindo as interrupções ao mínimo necessário.
  • Quando indicada, a desfibrilação deve ser realizada o mais precocemente possível. Estima-se que cada minuto de atraso na desfibrilação esteja associado a uma redução de cerca de 6% na sobrevida. Durante as compressões, deve-se avaliar a qualidade das manobras, buscar ativamente causas reversíveis da PCR e obter um acesso vascular. Quando não for possível um acesso vascular, pode-se adquirir um acesso intraósseo.
  • Pausas durante as compressões devem durar o mínimo possível. A interrupção deve ocorrer para realizar três ações prioritárias: avaliação imediata do ritmo cardíaco; verificação rápida de pulso (somente se houver ritmo organizado) e aplicação de choque caso o ritmo seja FV ou TVSP.
  • Na presença de linha reta no monitor, deve-se avaliar cabos e possíveis desconexões do aparelho, realizar aumento do ganho de amplitude para avaliar a presença de FV fina e modificar a derivação. Apenas após essas etapas deve-se considerar a linha reta como assistolia.
  • Apenas ritmos de FV e TVSP são considerados chocáveis e devem ser desfibrilados quanto antes. Antes da aplicação do choque, a segurança da equipe deve ser garantida afastando máscara e fontes de oxigênio. Deve-se avisar verbalmente à equipe com contagem regressiva para aplicação do choque.
  • Após a desfibrilação, não se deve checar o pulso ou o ritmo cardíaco imediatamente. As compressões torácicas devem ser retomadas.
  • Ainda não há consenso entre diretrizes sobre o manejo de casos de FV/TVSP refratárias (manutenção do ritmo após terceiro choque). O ERC sugere a mudança do vetor das pás como opção e recomenda contra a desfibrilação sequencial com dois pares de pás devido ao risco de segurança da equipe. A AHA não se posiciona, indicando ausência de evidências robustas para a realização de recomendações.
  • Capnografia e PAI podem auxiliar durante a RCP como preditores de RCE e da qualidade das compressões. Dispositivos de feedback (audiovisuais ou sensores de força) são estimulados para treinamentos, mas não possuem evidência de melhora da qualidade da RCP durante atendimento médico. A compressão torácica por dispositivos autônomos (ex: LUCAS) pode ser utilizada em cenários de difícil realização de RCP, como durante transporte. O uso do ECMO é validado e deve ser feito conforme protocolos em centros de referência.
  • As diretrizes diferem sobre o momento para realização de adrenalina em ritmos chocáveis, carga elétrica para cardioversão em taquiarritmias e manejo do paciente com monitoramento invasivo. A tabela 3 resume os principais pontos e atualizações dos documentos de 2025.

Medicamentos na Parada Cardiorrespiratória (PCR)

Veja o tópico "Medicamentos na Parada Cardiorrespiratória (PCR)" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • A adrenalina na PCR é administrada na dose de 1 mg a cada 3-5 minutos. O medicamento entra no 1º ciclo nos ritmos não chocáveis e no 2º ciclo nos chocáveis, após a segunda desfibrilação se o ritmo persistir. Existe associação com pior desfecho quando usada muito precocemente após a desfibrilação, possivelmente por aumentar a demanda miocárdica em causas tipicamente cardíacas.
  • Amiodarona deve ser administrada em no máximo duas doses, por via intravenosa ou intraóssea. A primeira dose é de 300 mg e a segunda dose de 150 mg, aplicada 3 a 5 minutos após a primeira. A administração deve ser feita em bolus, o que só pode ser feito em situação de PCR. 
  • A alteplase pode ser considerada durante a PCR quando há suspeita de tromboembolismo pulmonar como causa. A diretriz da European Society of Cardiology (ESC) cita o esquema de 0,6 mg/kg em 15 minutos (dose máxima de 50 mg), mas não há consenso sobre a melhor posologia nesse cenário.

Nova Diretriz de Hipertensão Arterial no Paciente Internado

Veja o tópico "Nova Diretriz de Hipertensão Arterial no Paciente Internado" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • A diretriz da American Heart Association (AHA) é o primeiro posicionamento de sociedade sobre o manejo da elevação da pressão arterial no paciente internado e no departamento de emergência. O documento retira os termos “crise hipertensiva” e “urgência hipertensiva” para evitar tratamento precipitado sem benefício comprovado e reforça que a emergência hipertensiva é definida pela presença de lesão de órgão-alvo (LOA), não apenas pelo valor da pressão.
  • O primeiro passo da avaliação do paciente com pressão elevada confirmada, especialmente acima de 180/110–120 mmHg, é procurar por evidências de LOA. Na presença de LOA, deve-se iniciar prontamente o tratamento para reduzir a pressão arterial. 
  • Após descartar LOA, a abordagem recomendada para o paciente com pressão arterial elevada é avaliar se a aferição foi feita corretamente, identificar causas reversíveis, interromper ou reconsiderar medicamentos que contribuem com a elevação da pressão arterial e reconciliar medicamentos de uso contínuo do paciente.
  • A diretriz recomenda evitar o uso de medicamentos intravenosos ou sob demanda (“se necessário”) para controle da pressão arterial em pacientes assintomáticos. Essa intervenção está associada a piores desfechos, como diminuição excessiva da pressão arterial, eventos cardiovasculares e injúria renal aguda.

Intoxicação por Metanol

Veja o tópico "Intoxicação por Metanol" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • Deve-se suspeitar de intoxicação por metanol em pacientes com história de ingestão alcoólica que apresentam após 6 - 12 horas um ou mais dos seguintes sintomas: manifestações visuais (como amaurose, diplopia e escotomas), piora ou persistência de rebaixamento do nível de consciência, ataxia, dor abdominal, náuseas ou vômitos. Todo caso suspeito deve ser notificado.
  • O diagnóstico definitivo com a dosagem sérica de metanol pode não estar disponível a tempo, portanto o diagnóstico presuntivo deve ser realizado com base em clínica sugestiva (como ingestão de álcool associada a alterações visuais) e alterações laboratoriais (acidose metabólica com anion gap elevado associado). Aumento do gap osmolar sugere o diagnóstico, mas níveis normais não excluem a hipótese de intoxicação por metanol.
  • O tratamento deve ser iniciado na suspeita clínica e se baseia em quatro pilares: correção da acidose com bicarbonato para pacientes com pH < 7,3; uso dos antídotos fomepizol ou etanol; hemodiálise se o paciente apresentar alterações visuais, pH < 7,1 metanol sérico > 50 mg/dL ou estimativa de ingesta de metanol > 30 mL; uso do ácido folínico 1 mg/kg (máx: 50mg) a cada 4 ou 6 horas.

Reações Adversas ao Uso de Contraste Iodado: Consenso da ACR e Diretriz Europeia de 2025

Veja o tópico "Reações Adversas ao Uso de Contraste Iodado: Consenso da ACR e Diretriz Europeia de 2025" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • Reação adversa ao contraste iodado é um termo abrangente que inclui reações de hipersensibilidade, fisiológicas, toxicidade (ex: nefropatia induzida por contraste), extravasamento e hipervolemia. As reações de hipersensibilidade e fisiológicas podem ocorrer imediatamente após a infusão de contraste e são estratificadas conforme a gravidade.
  • Reações moderadas, como edema de face e broncoespasmo, merecem tratamento sintomático e monitorização pelo risco de evolução para formas graves. Formas graves como a anafilaxia são os eventos de maior risco aos pacientes e devem ser reconhecidas e tratadas imediatamente. Na dúvida entre uma reação fisiológica e de hipersensibilidade, deve-se tratar como hipersensibilidade.
  • Para pacientes com histórico de reação adversa imediata grave ao contraste iodado, primeiro deve-se tentar uma alternativa que não envolva um exame contrastado. Se não for possível, o novo consenso da ACR recomenda a troca do agente iodado para o novo exame e considerar pré-medicação.
  • A pré-medicação não é recomendada para prevenir reações imediatas leves.
  • Não há correlação entre alergia a frutos-do-mar ou “alergia a iodo” com reações adversas por contraste.

Aproveite e leia:

15 de Dezembro de 2025

ACLS 2025: Consensos Americano e Europeu

A reanimação cardiopulmonar de alta qualidade é o principal determinante de sobrevida em pacientes que sofrem de parada cardiorrespiratória (PCR). Em outubro de 2025 foram publicadas as recomendações americanas e europeias que constituem as diretrizes do suporte avançado de vida (do inglês ACLS). Esta revisão resume os documentos e aborda as principais evidências sobre o manejo da PCR.

6 de Outubro de 2025

Intoxicação por Metanol

Em setembro de 2025, foram reportados casos de intoxicação por metanol no município de São Paulo por bebidas alcoólicas contaminadas. Esse tópico aborda os principais pontos sobre a intoxicação, incluindo diagnóstico e manejo.

4 de Agosto de 2025

Reações Adversas ao Uso de Contraste Iodado: Consenso da ACR e Diretriz Europeia de 2025

Meios de contraste iodados são amplamente utilizados em exames de imagem e podem causar reações adversas, principalmente de hipersensibilidade. Este tópico revisa o tema a partir do novo consenso do American College of Radiology (ACR), publicado em março de 2025, e da nova diretriz europeia, publicada em maio de 2025, que orienta sobre a identificação, o manejo e as estratégias de prevenção em pacientes com e sem histórico de reações.

24 de Março de 2025

Nova Diretriz de Hipertensão Arterial no Paciente Internado

Elevação dos níveis pressóricos é um achado comum no momento da internação hospitalar. Uma nova diretriz da American Heart Association (AHA) lançada em agosto de 2024 traz novas definições e atualiza as recomendações sobre a conduta nesse cenário. Este tópico revisa esse documento e complementa a discussão sobre o manejo de hipertensão no paciente internado da edição #2 do Guia TdC

20 de Janeiro de 2025

Medicamentos na Parada Cardiorrespiratória (PCR)

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