Neurologia, Infectologia, Geriatria, Cuidados Paliativos e Oncologia: Escolha dos Editores 2025

Criado em: 29 de Dezembro de 2025 Autor: Revisor: João Mendes Vasconcelos

Esse especial de fim de ano reúne os melhores conteúdos de neurologia, infectologia, geriatria, cuidados paliativos e oncologia publicados no Guia em 2025, selecionados por impacto na prática dos assinantes. Atualizações que mudam conduta, revisões objetivas e pontos-chave.

Nova diretriz de Tratamento de Pneumonia

Veja o tópico "Nova Diretriz Americana de 2025 sobre Tratamento de Pneumonia" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • A diretriz atual da ATS orienta que pacientes com pneumonia não grave, ambulatoriais ou hospitalizados, podem ter duração de tratamento por menos do que cinco dias, com mínimo de três dias. Isso somente se aplica a pacientes com estabilidade clínica.
  • ⁠Corticoides são recomendados em pacientes com pneumonia grave (recomendação fraca), excluindo aqueles com influenza. O corticoide de escolha é a hidrocortisona.
  • ⁠A diretriz sugere não prescrever antibiótico em pacientes ambulatoriais sem comorbidades se houver confirmação de vírus respiratório.
  • ⁠O ultrassom pode ser usado como ferramenta diagnóstica inicial quando a radiografia não for acessível. Os achados de pneumonia incluem consolidações hiperecogênicas mal definidas, com broncogramas aéreos dinâmicos, e linhas B pleurais não-uniformes pelo tórax.

Nova Diretriz de Meningite Bacteriana Comunitária

Veja o tópico "Nova Diretriz de Meningite Bacteriana Comunitária" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • Em 2024, os agentes mais comuns de meningite no Brasil foram Streptococcus pneumoniae (27%), Neisseria meningitidis (15%) e M. tuberculosis (7%).
  • Nenhuma combinação de sinais e sintomas exclui ou confirma meningite antes da punção lombar. Se existe a suspeita de meningite, a punção lombar deve ser feita.
  • Em pacientes de maior risco de herniação cerebral, a diretriz da OMS sugere que uma TC de crânio seja realizada antes da punção lombar. As características do líquor ajudam a diferenciar etiologias bacterianas de virais.
  • Ceftriaxona ou cefotaxima são o tratamento empírico para todos os pacientes. O aumento de resistência do S. pneumoniae no Brasil pode indicar adição de vancomicina em algumas regiões. 

Nova Diretriz Americana de 2025 sobre Tratamento de Infecção Urinária Complicada

Veja o tópico "Nova Diretriz Americana de 2025 sobre Tratamento de Infecção Urinária Complicada" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • A nova classificação da IDSA divide ITU em complicada e não complicada. ITU complicada se refere a quadros com sintomas sistêmicos como febre, calafrios, instabilidade hemodinâmica e/ou dor lombar. Pielonefrite é considerado uma ITU complicada. Já a ITU não complicada é restrita à bexiga (disúria, polaciúria, dor suprapúbica) sem febre ou sintomas sistêmicos, e pode ocorrer em mulheres ou homens.
  • O tratamento empírico da ITU complicada depende da presença de sepse. O uso racional de antibióticos sugerido pela diretriz pode ser realizado a partir de uma abordagem de quatro etapas: avaliação da gravidade do caso, fatores de risco para microrganismo resistente, fatores específicos do paciente, e perfil de sensibilidade local.
  • O tratamento deve ser transicionado para via oral, quando possível. A duração de tratamento não deve ultrapassar 7 dias em pacientes que cursam com melhora, excetuando casos com suspeita de prostatite aguda ou infecções de foco não resolvido (obstrução urinária ou abscessos maiores que 3 - 5 cm).

Diagnóstico de Morte Encefálica

Veja o tópico "Diagnóstico de Morte Encefálica" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • Morte encefálica (ME) é a cessação definitiva de todas as funções do encéfalo, caracterizada por coma não responsivo, ausência de reflexos de tronco e apneia. O diagnóstico de ME equivale legalmente ao óbito.
  • A legislação brasileira exige que sejam cumpridos quatro critérios para o diagnóstico de ME: identificação de causa conhecida e irreversível para o coma, exclusão de fatores confundidores, dois exames clínicos e um teste de apneia compatíveis com o diagnóstico e confirmação por exame complementar.
  • Antes de iniciar os testes, deve-se excluir condições que possam simular esse estado. Embora a hipernatremia refratária ao tratamento não contraindique o diagnóstico de ME, isso só se aplica quando ela não for a única causa do coma. A conduta quanto a sedativos e bloqueadores neuromusculares depende do contexto. Se administrados por infusão contínua ou quantidades desconhecidas, é necessário aguardar um intervalo mínimo de quatro a cinco meias-vidas após sua suspensão.
  • Os exames neurológicos para o diagnóstico de ME devem ser realizados por dois médicos, cada um com experiência mínima de um ano no atendimento a pacientes em coma e que já tenham realizado ou acompanhado pelo menos dez determinações de ME ou realizado um curso de capacitação. A repetição do exame clínico pelo segundo médico deve ocorrer com um intervalo mínimo de uma hora após o primeiro exame. Não é necessário repetir o teste de apneia quando o resultado do primeiro teste for compatível com ME.

Cuidados Paliativos: Indicação, Critérios de Terminalidade e Escalas Prognósticas

Veja o tópico "Cuidados Paliativos: Indicação, Critérios de Terminalidade e Escalas Prognósticas" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • Durante a trajetória das doenças potencialmente ameaçadoras à vida, os cuidados paliativos e as terapias modificadoras de doenças terão importâncias distintas conforme a evolução do quadro. O comprometimento da capacidade de realizar tarefas rotineiras de forma autônoma é um dos principais sinais de que a doença está evoluindo para sua fase final.
  • O conceito de terminalidade envolve o entendimento de uma pessoa com uma condição de saúde que não possui cura e com expectativa de vida de, no máximo, um ano. Fim de vida é o momento da vida em que a pessoa perde a funcionalidade por uma condição de saúde incurável, com aumento da carga de sintomas e da necessidade de cuidados. Expectativa de vida inferior a seis meses. Processo ativo de morte são as horas a dias que antecedem a morte, caracterizada pelas disfunções de órgãos e sistemas. Pode ser identificado pela presença de sinais e sintomas relacionados ao fim de vida.
  • Cuidados paliativos estão indicados para todos os indivíduos com doenças potencialmente ameaçadoras à vida, independentemente do estágio de evolução. Algumas ferramentas foram criadas para auxiliar o profissional de saúde na tomada de decisão como o SPICT-BR e GSF.
  • A avaliação prognóstica é frequentemente enganosa e costuma ser mais otimista que o prognóstico real se não for realizado de forma estruturada. Recomenda-se o uso de escalas com indicadores gerais e específicos de mau prognóstico relacionados com a condição de base do paciente. Exemplos de escalas são: PPS, PPI, MAGGIC, BODE, Child-Pugh, KDIGO e FAST.

Quimioterápicos e Eventos Adversos

Veja a revisão "Quimioterápicos e Eventos Adversos" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • O tratamento quimioterápico pode ter quatro objetivos: primário curativo, adjuvante, neoadjuvante ou paliativo. Os quimioterápicos podem ser organizados por mecanismo de ação. As classes agrupam perfis de toxicidade similares.
  • A referência para graduação de eventos adversos em oncologia é o Common Terminology Criteria for Adverse Events (CTCAE). A classificação orienta decisões de tratamento. Em geral, eventos de grau 1 e 2 são de manejo ambulatorial, enquanto os eventos de grau 3 e 4 necessitam de cuidado mais intenso e costumam requerer internação.
  • Náuseas e vômitos induzidos pela quimioterapia podem atingir mais de 90% dos pacientes se não houver profilaxia adequada. A profilaxia deve ser guiada pelo potencial emetogênico do esquema.
  • A diarreia é mais comum com fluoropirimidinas (5-fluoruracil e capecitabina) e irinotecano. O manejo depende da gravidade conforme o CTCAE versão 5.0.
  • A prevenção é a medida mais efetiva para mucosite. A avaliação odontológica antes do tratamento é a intervenção de maior impacto. Quando a mucosite está estabelecida, o objetivo é controle da dor, manutenção da via oral e prevenção de infecções.
  • Níveis de neutrófilos inferiores a 500 células/μL (neutropenia grave ou grau 4 pelo CTCAE) são comuns durante a quimioterapia. Na presença de febre em um paciente com câncer, a neutropenia grave determina o diagnóstico operacional de neutropenia febril. Este quadro é uma emergência médica. Veja mais em "Consenso Brasileiro de Neutropenia Febril".
  • A alopecia pode dificultar a adesão ao tratamento e piorar a qualidade de vida. Geralmente é reversível, mas a recuperação pode levar meses a anos. Em pacientes em uso de taxanos, especialmente docetaxel, pode ocorrer alopecia persistente. A indução de hipotermia no escalpo pode reduzir o risco de alopecia.
  • A manifestação típica da neuropatia associada a quimioterápicos é de polineuropatia com predomínio sensitivo e acometimento distal, bilateral e simétrico (em “bota e luva”). Quando há dor neuropática, a duloxetina foi o único medicamento que demonstrou eficácia em estudo randomizado controlado por placebo.
  • A cardiotoxicidade pelas antraciclinas tem relação com a dose. Quando ocorre associada a sintomas de insuficiência cardíaca ou resulta em fração de ejeção inferior a 50%, é indicada a suspensão do tratamento oncológico e o manejo de acordo com as diretrizes de insuficiência cardíaca.
  • Os agentes com maior nefrotoxicidade são a cisplatina, ciclofosfamida, ifosfamida e a gencitabina. 

Efeitos Adversos dos Inibidores de Checkpoints Imunes

Veja o tópico "Inibidores de Checkpoints Imunes no Tratamento do Câncer: Efeitos Adversos" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • Os efeitos adversos dos ICIs estão relacionados à hiperativação do sistema imunológico e são chamados de eventos adversos imunomediados. Podem surgir em até 40% dos pacientes e qualquer órgão pode ser acometido.
  • As manifestações cutâneas são as mais comuns. A apresentação mais frequente é de exantema pruriginoso localizado. Em segundo lugar, em frequência estão os efeitos endocrinológicos, principalmente o hipotireoidismo. A tabela 2 descreve os eventos com detalhes acerca de incidência, apresentação clínica e investigação.
  • Um dos principais fatores que guia a suspeita é o tempo de exposição ao tratamento.
  • A primeira etapa no manejo é classificar a gravidade do evento. A ferramenta mais utilizada é a Common Terminology Criteria for Adverse Events (CTCAE). O tratamento se baseia em suspender o inibidor de checkpoint e iniciar imunossupressão, que deve ser mais intensa conforme a gravidade.
  • Em eventos de grau 3 e 4, o inibidor de checkpoint deve ser suspenso permanentemente e iniciado corticoide em doses elevadas.

Aproveite e leia

  • Definição de cuidados paliativos
  • Critérios de terminalidade e indicação de cuidados paliativos
  • Escalas prognósticas
15 min
Não visto
Ler Tópico
  • Conceitos e tipos de quimioterápicos
  • Classificação de gravidade e temporalidade dos eventos adversos
  • Náuseas, vômitos, diarreia e mucosite
  • Citopenias e tromboembolismo venoso
  • Alopecia e efeitos cutâneos
  • Neuropatia periférica
  • Cardiotoxicidade
  • Pneumotoxicidade
  • Nefrotoxicidade
  • Infertilidade, fadiga e alterações cognitivas
  • Malignidade secundária
24 min
Não visto
Ler Tópico
  • Duração do tratamento
  • Uso de corticoide na pneumonia
  • Pacientes com clínica de pneumonia com teste viral positivo
  • Uso do ultrassom para diagnóstico de pneumonia
11 min
Não visto
Ler Tópico
  • Nova classificação: ITU complicada e não complicada
  • Antibiótico inicial na ITU complicada: opções conforme gravidade
  • Antibiótico inicial na ITU complicada: como escolher entre as opções
  • Transição para antibiótico oral e duração do tratamento na ITU complicada
14 min
Não visto
Ler Tópico
  • Epidemiologia
  • Manifestações clínicas e decisão sobre punção lombar
  • Cuidados pré-punção lombar
  • Análise do líquor
  • Tratamento e profilaxia
11 min
Não visto
Ler Tópico