Noradrenalina: Bulário

Criado em: 05 de Janeiro de 2026 Autor: Luiza Axelrud Revisor: João Mendes Vasconcelos

A noradrenalina é o vasopressor de primeira linha no choque séptico [1,2]. Quando uma droga vasoconstritora é necessária no choque cardiogênico, a noradrenalina também é uma primeira escolha razoável [3-5]. Esse tópico aborda indicações, prescrição e efeitos adversos da noradrenalina.

Indicações e contraindicações

A noradrenalina é a primeira escolha de vasopressor no choque séptico [6]. Também é uma escolha inicial frequente em choques distributivos e choques indiferenciados com hipotensão grave, por reunir a melhor relação entre eficácia, segurança, disponibilidade e custo (tabela 1) [2,4,7]. A droga exerce vasoconstrição ativando os receptores α-1 adrenérgicos, com efeito β-1 moderado [8].

Tabela 1
Escolha de vasopressor e meta de pressão arterial média (PAM) em cada tipo de choque.
Escolha de vasopressor e meta de pressão arterial média (PAM) em cada tipo de choque.

O Surviving Sepsis Campaign (SSC) faz uma recomendação forte para utilizar a noradrenalina como primeiro vasopressor no choque séptico. Quando a noradrenalina não está disponível, adrenalina ou dopamina são alternativas [2]. Meta-análises indicam menor mortalidade e incidência de arritmias com a noradrenalina quando comparada à dopamina, sem diferença clara para outras drogas vasoativas [1,6,9,10].

A noradrenalina pode ser iniciada durante a ressuscitação volêmica. O objetivo é reduzir o tempo de hipotensão, especialmente quando há sinais de hipoperfusão claros apesar de um volume de fluidos inicial. O ensaio clínico CENSER encontrou maior controle do choque em 6 horas com início mais precoce de noradrenalina em baixa dose [11]. Uma revisão sistemática recente encontrou associação entre menor mortalidade e início precoce da droga, embora estudos adicionais sejam necessários para confirmar esse achado [12]. Veja mais em "Fluidos, Fluido-Responsividade e Fluido-Tolerância". 

No choque cardiogênico, as evidências e o consenso são menores que na sepse. Ainda assim, a noradrenalina é uma opção de primeira escolha como vasopressor quando há pressão arterial sistólica (PAS) < 90 mmHg e/ou sinais de hipoperfusão, habitualmente em associação com inotrópicos [4,13]. Veja mais em "Novo Consenso de Choque Cardiogênico". 

O uso de drogas vasoativas é menos definido nos outros tipos de choque (tabela 1). Nos choques séptico e cardiogênico, vasopressores integram o tratamento e podem ser mantidos por dias, com metas discutidas em diretrizes. Já nos choques hipovolêmicos e obstrutivos, o tratamento definitivo é corrigir a causa e a evidência de benefício de vasopressores é limitada. Quando há hipotensão grave e refratária, essas drogas podem ser usadas por curto período como ponte, para ganhar tempo até a correção da hipovolemia, hemorragia ou obstrução mecânica [7]. 

Estudos observacionais associam a noradrenalina com melhores desfechos no choque pós-parada, mas com dados sujeitos a confundimento [14-17]. 

As diretrizes não indicam um vasopressor específico nesse cenário, sendo o objetivo evitar hipotensão.

Contraindicações

Não há contraindicações formais na bula do Food and Drug Administration (FDA) [18]. Deve-se ter cautela quando o maior componente do choque é hipovolemia. Nesse contexto, a noradrenalina pode normalizar a pressão às custas de vasoconstrição intensa, piorando a perfusão tecidual. Ainda segundo a bula, o uso deve ser evitado na trombose mesentérica ou periférica, pela possibilidade de estender áreas de infarto.

No choque cardiogênico, existe preocupação teórica de aumento de pós-carga. Em um estudo pequeno em choque cardiogênico tratado ou pré-tratado com inotrópicos, elevar a pressão arterial média (PAM) de 65 para 85 mmHg com noradrenalina aumentou a resistência vascular sistêmica, mas não piorou débito cardíaco, lactato ou saturação venosa mista, sugerindo tolerabilidade desde que com suporte inotrópico [19]. Em outro estudo, a mesma estratégia se associou à melhora de marcadores de desempenho cardíaco e perfusão [20]. Outros trabalhos nesse cenário favorecem a noradrenalina em relação a outros vasopressores [1,5,20].

Usos fora do choque circulatório

Fora do choque, a noradrenalina pode ser usada para elevação sustentada da pressão arterial em cenários específicos, com monitorização contínua e titulação de dose (tabela 2):

[tabela id=1707 index=2]
  • Síndrome hepatorrenal: alternativa à terlipressina em pacientes em UTI. Também é o vasopressor preferencial em casos de choque nesse contexto (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37939273/). Uma revisão sistemática de ensaios clínicos encontrou desfechos similares na comparação de terlipressina e noradrenalina (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38285703/). Veja mais em "Droga Vasoativa na Síndrome Hepatorrenal".
  • Hipertensão induzida no tratamento de isquemia cerebral tardia (vasoespasmo sintomático) após hemorragia subaracnóidea aneurismática: elevar a PAS pode ser uma opção para tentar reduzir a gravidade da isquemia cerebral tardia (recomendação 2b pela diretriz de 2023) (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28319954/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27737684/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37212182/). Veja mais em "Diretriz de Hemorragia Subaracnóidea Aneurismática da AHA/ASA".
  • Elevação da PAM após lesão aguda da medula espinhal: diretriz recente sugere manter PAM pelo menos entre 75–80 mmHg e não mais que 90–95 mmHg por 3–7 dias (recomendação fraca, evidência muito baixa), priorizando evitar hipotensão (tabela 1) (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29088944/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38526923/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27271117/). 

Como prescrever

A principal apresentação de noradrenalina disponível no Brasil é a ampola de 4 ml do hemitartarato de norepinefrina 2 mg/mL, que corresponde a noradrenalina (base) 1 mg/mL. A dose deve ser sempre interpretada e registrada como noradrenalina base. Diferenças de rotulagem podem levar a erro e sociedades de terapia intensiva já abordaram isso como problema de segurança do paciente (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38908934/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38240498/).

Diluições comuns usam volume final de 250 mL de NaCl 0,9% ou glicose 5%, por exemplo (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38498164/):

  • 2 ampolas (8 mL = 8 mg de noradrenalina base) mais 242 mL. Concentração de 32 mcg/mL.
  • 4 ampolas (16 mL = 16 mg de noradrenalina base) mais 234 mL. Concentração de 64 mcg/mL.
  • 8 ampolas (32 mL = 32 mg de noradrenalina base) mais 218 mL. Concentração de 128 mcg/mL (útil em doses altas, reduzindo volume infundido).
[tabela id=1708 index=3]

As doses devem ser expressadas em mcg/kg/min. Uma mesma vazão em ml/h na bomba de infusão pode resultar em doses muito diferentes conforme a diluição da solução e o peso do paciente (tabela 3 e tabela 4). Prescrever ou titular em mL/h aumenta o risco de erro, especialmente em transições de bomba e mudanças de concentração (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40700570/). 

[tabela id=1709 index=4]

Uma fórmula para converter de ml/h para mcg/kg/min é a seguinte:

Dose (mcg/kg/min) = [vazão (mL/h) × concentração (mcg/mL)] ÷ [peso (kg) × 60]

Por exemplo, em um paciente de 70 kg recebendo 5 ml/h da solução de 64 mcg/mL:

Dose = (5 × 64) ÷ (70 × 60) = 0,076 mcg/kg/min.

A solução deve ser administrada em bomba de infusão. A bula do FDA recomenda fotoproteção durante a administração. Alguns estudos sugerem estabilidade da droga na luz ambiente por períodos habituais (https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=52e22892-4fc3-4f53-9f39-0b5c66da3040, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22613065/). Na prática, o início da noradrenalina não deve ser atrasado pela fotoproteção. Pode-se proteger o frasco e o equipo após o início.

A noradrenalina pode ser iniciada em acesso venoso periférico para evitar atraso no controle da hipotensão. O SSC sugere iniciar vasopressores em acesso periférico ao invés de atrasar a infusão até a obtenção de acesso venoso central. Quando usada nessa localização, o período deve ser curto e em veia na fossa cubital ou mais proximal (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34599691/).

Um protocolo institucional com dados de segurança publicados preconiza cateter de maior calibre (por exemplo, 16–20G), em veias do antebraço proximal a braço médio/superior, com linha exclusiva para noradrenalina e vigilância frequente do sítio (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37406335/). Em estudos observacionais, a incidência de extravasamento costuma ser baixa quando medidas de segurança são seguidas, inclusive com uso por até 24 horas (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31698544/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39411928/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37536012/). Em uma análise secundária do estudo CLOVERS, complicações por vasopressor periférico foram raras (0,6%) e leves. Nesse mesmo estudo, complicações associadas à passagem de cateter venoso central nas primeiras 72 horas ocorreram em 3,7% (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40864467/).

Deve-se transicionar a infusão para um acesso central quando há expectativa de uso por tempo prolongado, necessidade de doses crescentes, associação de vasopressores ou acesso periférico não ideal.

Alvos de pressão arterial

No choque séptico, o alvo inicial de PAM é ≥ 65 mmHg (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34599691/). Ensaios clínicos não mostraram benefícios consistentes com alvos de PAM maiores (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15818105/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24635770/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26891677/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40358717/). No estudo SEPSISPAM, o alvo mais alto não reduziu mortalidade no geral e se associou a mais arritmias. Uma análise de subgrupo desse estudo levanta a hipótese de benefício renal com alvos mais elevados em pacientes previamente hipertensos, porém esse achado não foi confirmado em meta-análises posteriores (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24635770/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28497426/). Se persistirem sinais de hipoperfusão com PAM ≥ 65 mmHg ou houver necessidade de pressão mais elevada por um contexto específico (tabela 1), é possível individualizar o alvo.

Nos outros tipos de choque, as metas de pressão arterial derivam principalmente de consensos e estudos observacionais. Em geral, um alvo de PAM em torno de 60 mmHg é razoável, com ajuste conforme a resposta e o contexto clínico (tabela 1) (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41236566/).  

Fora do choque, os alvos de PAM variam conforme a indicação (tabela 2) (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37939273/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37212182/). Na síndrome hepatorrenal, estudos e diretrizes preconizam elevar a PAM em 10 mmHg acima da basal, com ajuste guiado pela resposta renal ou por até 15 dias (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30178092/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17560680/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38285703/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38527522/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36075500/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33942342/). 

Ajuste de dose, refratariedade e desmame

A dose inicial de noradrenalina descrita em bula é de 8 a 12 mcg/min (https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=6363e9b4-29df-4553-904d-a563e5adda6e). Em um adulto de 70 kg, 8 a 12 mcg/min correspondem aproximadamente a 0,1 a 0,2 mcg/kg/min. Na diluição de 64 mcg/mL (preparo com 4 ampolas), isso corresponde a 7,5 a 11,25 mL/h

Não existe um esquema único de titulação. A bula descreve que o ajuste pode ser feito a cada 2 minutos (https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=6363e9b4-29df-4553-904d-a563e5adda6e). Alguns protocolos fazem incrementos de 0,02 mcg/kg/min por vez, o que corresponde a cerca de 1 a 2 mL/h da solução de 64 mcg/ml em um paciente de 70 kg (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20200382/). Deve-se considerar monitorar a pressão arterial de forma invasiva (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41236566/).

Não existe uma dose máxima clara (https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=6363e9b4-29df-4553-904d-a563e5adda6e). Em um estudo retrospectivo, doses acima de 1,1 mcg/kg/min se associaram a maior mortalidade precoce, provavelmente como marcador de gravidade/refratariedade e não como toxicidade por dose elevada isoladamente (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39193888/). Doses em escalada rápida ou muito altas devem levar à reavaliação do diagnóstico e do tratamento (como hipovolemia oculta, acidose/hipóxia e disfunção ventricular), em vez de somente elevar a noradrenalina.

O ajuste dos vasopressores deve considerar também outros aspectos de micro e macro-hemodinâmica além da PAM (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31646370/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41236566/). Normalizar a pressão arterial não garante melhora de microcirculação e oxigenação tecidual. 

Choque séptico refratário

Um limiar utilizado com frequência para definir choque refratário é a necessidade de noradrenalina > 0,5 mcg/kg/min para manter a PAM alvo (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24151551/). Antes de assumir refratariedade, deve-se excluir erros de aferição e reavaliar causas reversíveis de hipotensão ou necessidade desproporcional de vasopressor (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29329694/) (fluxograma 1). 

[tabela id=1710 index=5]

A diretriz da SSC de 2021 sugere associar vasopressina quando a PAM permanece inadequada apesar de noradrenalina. O documento cita como faixa prática iniciar vasopressina quando a noradrenalina estiver em 0,25–0,5 mcg/kg/min (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34599691/). No ensaio clínico VASST, adicionar vasopressina em baixa dose à noradrenalina não reduziu mortalidade (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18305265/). Houve um sinal de benefício no subgrupo com menor necessidade de noradrenalina no momento da randomização, definido como < 15 mcg/min (dose não ajustada por peso). Em sínteses posteriores, não houve efeito consistente em mortalidade, e o principal sinal de segurança foi um aumento de isquemia digital, porém com menos arritmias, em comparação com estratégias sem vasopressina (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34599691/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29801010/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31062052/). A adrenalina também pode ser utilizada em choques refratários, principalmente nos pacientes com disfunção miocárdica associada (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34599691/).

O SSC sugere hidrocortisona 200 mg/dia em adultos com choque séptico com necessidade persistente de vasopressor. Na prática, isso significa necessidade de noradrenalina ≥ 0,25 mcg/kg/min por pelo menos 4 horas para manter a PAM alvo (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34599691/). Ensaios clínicos e meta-análises apontam menor tempo para reversão do choque com essa conduta, com aumento de hiperglicemia e hipernatremia (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29761216/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34599691/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38250247/). Veja mais em  "Vasopressores e Corticoide no Choque Séptico".

Desmame

O desmame de noradrenalina deve ser considerado quando a PAM estiver no alvo e houver sinais de perfusão adequada. Não há um protocolo universal validado de desmame (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31646370/).

Quando há combinação de vasopressores, estudos sugerem menor risco de hipotensão se a noradrenalina for reduzida antes da vasopressina (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31126701/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34404892/).

Cuidados e efeitos adversos

A vasoconstrição periférica pode levar à isquemia tecidual. A incidência de isquemia digital, mesentérica ou coronariana fica em torno de 2% (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31062052/,https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24635770/). A isquemia digital associada à noradrenalina costuma ser bilateral e simétrica, principalmente nos pododáctilos, e se associa a hipotensão prolongada, doença arterial periférica e doses elevadas (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28781738/). 

A incidência de arritmias é de cerca de 10-15% em pacientes em uso de noradrenalina, variando conforme a população estudada e a gravidade (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20200382/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31088524/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31062052/). Fibrilação atrial é a mais frequente, sendo mais comum com doses mais elevadas (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24635770/).

Extravasamento

O extravasamento da droga para o subcutâneo é incomum. Em coortes recentes, com práticas de segurança para infusão em acesso periférico, a incidência é de 0,1% a 2,3% das administrações de noradrenalina em veia periférica (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32925324/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38180886/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39411928/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37611862/).

O sítio pode apresentar edema, palidez, dor e pele fria. Em casos mais extensos, pode haver descoloração purpúrica e formação de bolhas em até 48 horas. (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24420913/). 

A conduta imediata envolve (fluxograma 2) (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24420913/):

  • Interromper a infusão no acesso suspeito e garantir suporte hemodinâmico por outro acesso.
  • Manter o cateter no lugar inicialmente e aspirar o que for possível, sem lavar.
  • Administrar fentolamina (antagonista alfa-adrenérgico) o mais cedo possível: diluir 5–10 mg em 10–20 mL de NaCl 0,9% e infiltrar em pequenas alíquotas ao redor da área afetada (e, quando viável, pela própria cânula antes de removê-la). O efeito costuma ser rápido e a aplicação é mais eficaz quando realizada nas primeiras horas, idealmente dentro de uma janela de até 12 horas.
  • Se a fentolamina não estiver disponível, alternativas são nitroglicerina tópica 2% (por exemplo, a cada 8 horas) e terbutalina intradérmica (por exemplo, 1 mg diluída em 10 mL de NaCl 0,9% e aplicada de forma semelhante à fentolamina). A evidência dessas alternativas é limitada e baseada em séries e relatos (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28890646/).
  • Elevar o membro e aplicar compressas mornas.
  • Se houver progressão para necrose ou comprometimento extenso, considerar avaliação cirúrgica para desbridamento. 
[tabela id=1711 index=6]

Interações medicamentosas

A noradrenalina pode interagir com inibidores da monoamina oxidase (MAO) ou drogas com ação semelhante (como linezolida) e com antidepressivos tricíclicos, causando hipertensão prolongada e grave (https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=52e22892-4fc3-4f53-9f39-0b5c66da3040). Anestésicos halogenados (como isoflurano ou sevoflurano) podem aumentar a irritabilidade miocárdica e, em associação com noradrenalina, elevar o risco de taquicardia ventricular ou fibrilação ventricular. A recomendação prática é monitorar o ritmo durante o uso concomitante (https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=52e22892-4fc3-4f53-9f39-0b5c66da3040).

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