Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica - GOLD 2023
Este tópico foi atualizado. Acesse "Atualização de DPOC: GOLD 2024" para ver as novidades.
Anualmente, o Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD) lança diretrizes de tratamento da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). A última revisão do ano de 2022 do Guia é sobre o GOLD 2023, revisando os conceitos importantes e trazendo as atualizações de DPOC [1].
Definição e impacto
A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é a terceira causa mais comum de morte no mundo . Em 2012, 6% das mortes em todo o mundo foram por DPOC.
O GOLD define DPOC como:
"Condição pulmonar heterogênea caracterizada por sintomas crônicos em consequência de anormalidades na via aérea e/ou alvéolos levando a obstrução persistente e comumente progressiva no fluxo aéreo''.
Essa definição contém duas diferenças de DPOC e asma: obstrução persistente do fluxo aéreo (na asma a obstrução é variável) e anormalidades alveolares (na asma as alterações tendem a se restringir a via aérea).
O modelo tradicional de desenvolvimento da DPOC era de uma perda acelerada da função pulmonar induzida por fatores de risco - como tabagismo - em pessoas predispostas. Entende-se hoje que os pacientes também podem desenvolver DPOC por outra trajetória.
Algumas pessoas não tiveram o crescimento pulmonar normal e tem um pico de função pulmonar menor. Isso ocorre por problemas nos primeiros anos de vida (exposição intrauterina a agentes nocivos, baixo peso ao nascer, prematuridade, infecções respiratórias na infância e outros fatores). Mesmo perdendo função na velocidade habitual, podem acabar desenvolvendo DPOC se viverem o suficiente (veja figura 1).
Essa perspectiva explica por que muitos pacientes desenvolvem DPOC sem nunca terem sido tabagistas. Diante de um quadro clínico sugestivo, a ausência de tabagismo não exclui a possibilidade de DPOC. O GOLD propõe uma divisão dos tipos de DPOC de acordo com sua etiologia, conforme a tabela 1.
Diagnóstico
A espirometria é mandatória para o diagnóstico de DPOC. As indicações clínicas para considerar DPOC e realizar espirometria estão na tabela 2.
Tosse crônica é um indicativo de DPOC, mesmo sem secreção. Secreção excessiva deve levantar a suspeita de bronquiectasia. Crises de tosse podem causar síncope ou fraturas de arcos costais.
Alguns pacientes sem diagnóstico se apresentam em uma exacerbação. Nesses casos, a hipótese de DPOC deve ser levantada especialmente na presença de fatores de risco. Alguns relatam que tem resfriados/gripes prolongadas e mais intensas que as outras pessoas, um relato que também é suspeito para DPOC em pessoas de risco.
O rótulo de "DPOC presumido", assumindo o diagnóstico apenas com base em dados clínicos, é perigoso e deve ser temporário. Estudos mostram que muitos pacientes não realizam espirometria após a suspeita de DPOC [2]. A história e o exame físico não são bons preditores de obstrução ao fluxo de ar na espirometria [3]. Muitos pacientes tratados para DPOC sem espirometria não tem obstrução de fluxo de ar quando realizam o exame [4].
O exame físico ajuda pouco no diagnóstico. Os sinais de obstrução ao fluxo aéreo estão presentes apenas em casos avançados. A ausência desses sinais não exclui a possibilidade de DPOC.
Os diagnósticos diferenciais principais estão na tabela 3. A diferenciação mais difícil é com asma. Asma e DPOC podem estar presentes no mesmo paciente. O termo ACOS - denotando uma sobreposição entre asma e DPOC - não deve ser mais utilizado.
Espirometria
Deve-se utilizar os resultados de velocidade expiratória forçada no primeiro segundo (VEF1) e capacidade vital forçada (CVF) na relação VEF1/CVF. Os valores utilizados devem ser obtidos após a administração de broncodilatador.
O critério espirométrico permanece o mesmo. Uma relação VEF1/CVF pós broncodilatador menor que 0,7 é diagnóstica de obstrução ao fluxo de ar não totalmente reversível. Esse achado não é específico de DPOC, podem ocorrer na asma e em outras doenças pulmonares.
O GOLD introduz dois conceitos novos de condições precursoras de DPOC: pré-DPOC e PRISm. Pré-DPOC são pessoas com sintomas respiratórios e/ou alterações estruturais pulmonares (ex.: enfisema em tomografia) e/ou alterações fisiológicas (ex.: VEF1 reduzido), mas com a relação VEF1/CVF preservada. PRISm - do inglês Preserved Ratio Impaired Spirometry - agrupa pessoas com espirometria alterada, mas VEF1/CVF normal. Essas pessoas têm risco de evoluírem para DPOC, mas nem todas evoluem. Mais estudos são necessários para caracterizar melhor a história natural desses grupos.
DPOC estável: avaliação e classificação
Após o diagnóstico, três pontos devem ser avaliados:
- Gravidade da obstrução ao fluxo de ar
- Risco de exacerbações
- Intensidade dos sintomas
A obstrução ao fluxo de ar é avaliada pela VEF1 após o broncodilatador em porcentagem em relação ao predito. O paciente então é classificado conforme a tabela 4. A espirometria deve ser repetida anualmente.
A avaliação clínica dos pacientes mudou. Antes, risco de exacerbações (alto/baixo) e intensidade dos sintomas (alta/baixa) se combinavam em quatro grupos (A, B, C e D) para guiar o tratamento.
Considerando a relevância clínica das exacerbações, a orientação agora é primeiro avaliar o risco delas acontecerem. Se o paciente for de alto risco - pelo menos uma exacerbação com hospitalização ou duas idas ao pronto socorro - ele está na categoria E.
Se o risco de exacerbações for baixo, aí avalia-se a intensidade dos sintomas. Se a intensidade for alta - questionário mMRC ≥ 2 ou CAT ≥ 10 - o paciente está na categoria B. Se a intensidade for baixa, está na categoria A.
A saturação de oxigênio deve ser aferida em toda consulta. Se ≤ 92%, deve-se solicitar uma gasometria arterial.
Tomografia de tórax deve ser considerada nas seguintes situações:
- Exacerbações frequentes, com tosse intensa e produção excessiva de secreção - pelo diagnóstico diferencial com bronquiectasia.
- Sintomas desproporcionais ao achados da prova de função pulmonar.
- VEF1 < 45% do predito e candidatos a intervenção cirúrgica - cirurgia redutora de volume pulmonar é uma opção para pacientes com hiperinsuflação e enfisema predominando nos lobos superiores.
- Pacientes que entram no critério de rastreio de câncer de pulmão.
Todo paciente com DPOC deve ser rastreado uma vez para deficiência de alfa-1 antitripsina.
DPOC estável: terapia não farmacológica
As principais intervenções não farmacológicas de DPOC estável são:
- Cessar o tabagismo
- Vacinas
- Reabilitação pulmonar
- Oxigenoterapia domiciliar
- Ventilação não invasiva
- Cirurgias
Todo paciente tabagista com DPOC deve ser aconselhado a cessar o tabagismo. Um programa de cessação tabagismo com disponibilidade de medicações deve ser oferecido. Para mais informações, ouça Episódio 11: Tabagismo. Outros fatores de risco como fogão a lenha, ambientes mal ventilados e poluição devem ser abordados e, se possível, afastados do paciente.
O GOLD recomenda vacinas para os seguintes agentes, a depender das diretrizes locais: influenza, Sars-CoV-2, pneumococo, coqueluche (dTPa, para aqueles não vacinados na infância), zoster (se mais de 50 anos). Para saber mais sobre a vacina de penumococo, acesse "Vacina Pneumocócica no Adulto".
A reabilitação pulmonar é uma intervenção ampla que envolve treinamento com exercícios, educação e auto-manejo. A reabilitação reduz desfechos significativos, incluindo mortalidade e hospitalizações. O benefício maior é em pacientes com exacerbações. A terapia está indicada em DPOC GOLD B e E.
A oxigenoterapia domiciliar é capaz de reduzir a mortalidade. Os critérios e o seguimento estão sumarizados no fluxograma 1. A reavaliação em 60 a 90 dias é necessária, pois muitos pacientes saem do critério após algumas semanas.
Ventilação não invasiva (VNI), sempre lembrada nas exacerbações, pode ser utilizada em casos selecionados de DPOC estável. Os pacientes que podem se beneficiar são aqueles com hospitalização recente e hipercapnia persistente (pCO2 > 53 mmHg).
Intervenções cirúrgicas e broncoscópicas são opções para alguns pacientes com DPOC. A cirurgia mais respaldada é a cirurgia de redução dos volumes pulmonares, indicada para pacientes com predomínio de enfisema em lobo superior. Esse tipo de cirurgia pode reduzir a mortalidade. A colocação de válvulas endobrônquicas unidirecionais é uma alternativa em pacientes com enfisema grave. O transplante de pulmão pode ser realizado na DPOC avançada, pesando risco de complicações e disponibilidades de órgãos.
DPOC estável: medicações iniciais
Não existem ensaios clínicos randomizados para guiar o início da terapia. O GOLD propõe dois algoritmos, um para início e outro para ajuste medicamentoso. O início da terapia é guiado pela classificação A, B e E.
Pacientes do grupo A - pouco sintomáticos e com baixo risco de exacerbação - devem usar um broncodilatador, seja beta agonista ou antimuscarínico. Drogas de longa ou curta ação podem ser usadas, mas a de longa ação são preferíveis.
Pacientes do grupo B - muito sintomáticos e com baixo risco de exacerbação - devem usar um beta agonista de longa ação (LABA) e um antimuscarínico de longa ação (LAMA) associados. O estudo EMAX encontrou superioridade da combinação LABA+LAMA em relação ao LAMA em vários desfechos [5]. Se a combinação não for possível, um LABA ou LAMA podem ser usados isoladamente, sem evidência de superioridade de um sobre o outro. As coortes mostram que esses pacientes comumente têm comorbidades que pioram os sintomas e estas devem ser pesquisadas ativamente.
Pacientes do grupo E - alto risco de exacerbação, independente de sintomas - devem usar uma combinação de LABA+LAMA. Essa combinação garante maior redução de exacerbações.
Para pacientes do grupo E, se os eosinófilos forem maiores que 300 células/mcL, deve-se considerar iniciar já com a tripla terapia contendo corticoide inalatório (ICS), LABA e LAMA. Os ICS não têm papel na redução de sintomas de DPOC, mas podem ajudar alguns pacientes a terem menos exacerbações. Existe uma relação direta entre o benefício dos ICS e a contagem de eosinófilos no sangue.
A combinação de LABA e ICS, muito utilizada na asma, é desencorajada na DPOC. Se existe possibilidade de benefício com ICS, a combinação de ICS+LABA+LAMA deve ser prescrita. Se um paciente tem asma e DPOC ao mesmo tempo, deve-se seguir primariamente a linha de tratamento da asma. Nesses casos, o tratamento sempre deve conter um ICS.
DPOC estável: medicações adicionais
O ajuste medicamentoso depende do componente que está persistindo apesar do tratamento: os sintomas (especialmente a dispneia) ou as exacerbações. Em todos os casos, o primeiro passo é sempre checar aderência, técnica de uso dos dispositivos inalatórios e presença de comorbidades.
Se o paciente persiste com dispneia, deve-se associar LABA+LAMA. Se mesmo assim persistir, as opções são:
- Combinar as medicações em um único dispositivo
- Trocar o dispositivo inalatório
- Instituir ou escalonar tratamentos não farmacológicos
- Investigar outras causas de dispneia
Se o paciente persiste com exacerbações, deve-se checar a contagem de eosinófilos e se > 300 células/mcL prescrever a associação ICS+LABA+LAMA. Se os eosinófilos forem < 300 células/mcL, a orientação é associar LABA+LAMA. Se mesmo com a associação LABA+LAMA o paciente tem exacerbações, vale a tentativa de ICS+LABA+LAMA se eosinófilos> 100 células/mcL.
Alguns pacientes continuam tendo exacerbações mesmo com tripla terapia de ICS+LABA+LAMA ou com LABA+LAMA e eosinófilos < 100 células/mcL. Nesse cenário, existem duas opções. Para aqueles com VEF1 < 50% do predito e com bronquite crônica (tosse produtiva por pelo menos 3 meses por ano em dois anos consecutivos), está indicada a adição de inibidor de fosfodiesterase-4 como o roflumilaste. Outra opção, esta para aqueles com DPOC por tabagismo, é acrescentar azitromicina 500mg três vezes por semana.
Os ICS, apesar de reduzirem exacerbações, aumentam o risco de pneumonia. Se após a introdução do ICS começarem a ocorrer pneumonias, deve-se suspender o ICS. Em pacientes com eosinófilos > 300 células/mcL, existe maior risco de exacerbações após a retirada do ICS.
DPOC exacerbado: avaliação
O GOLD 2023 define uma exacerbação de DPOC como:
"piora da dispneia e/ou tosse com secreção que ocorre em menos de 14 dias que pode ser acompanhada por taquipneia e/ou taquicardia comumente associada a aumento da inflamação local e sistêmica causada por infecção, poluição ou outros insultos".
O quadro de exacerbação de DPOC é inespecífico. Os diagnósticos diferenciais mais comuns são pneumonia, insuficiência cardíaca e embolia pulmonar. Os três devem ser procurados ativamente.
Muitos pacientes com tromboembolismo pulmonar (TEP) tem apresentação clínica similar a exacerbação de DPOC. Eles podem ter queixas respiratórias, hipoxemia e imagem pulmonar sem imagem sugestiva de pneumonia. Deve-se desconfiar de TEP em exacerbações com pouca secreção, hipoxemia e ausência de melhora.
O GOLD recomenda dosar a proteína C reativa em pacientes com suspeita de exacerbação de DPOC. Além de ajudar na decisão de iniciar antibióticos, quando está menor que 10 mg/L se associa com exacerbações mais leves (veja o tópico "Antibióticos para DPOC Exacerbada").
Os sintomas mais intensos de exacerbação duram de 7 a 10 dias. Em 8 semanas, até 20% dos pacientes ainda não se recuperaram completamente.
DPOC exacerbado: tratamento
A primeira medida válida para todas as exacerbações é o uso de broncodilatadores de curta ação. Beta agonistas (SABA), com ou sem antimuscarínicos (SAMA), devem ser usados. Mesmo com a adição dos agentes de curta ação, não se deve suspender os agentes de longa ação caso o paciente já fizesse uso (apesar que isso nunca foi estudado). Se o paciente não usava agentes de longa ação, estes devem ser adicionados sempre antes da alta hospitalar.
Os corticóides sistêmicos podem reduzir o tempo de recuperação, abreviar a internação, diminuir a chance de recorrência e melhorar a oxigenação. Esses resultados foram obtidos principalmente em pacientes tratados dentro do hospital. A dose é de 40mg de prednisona por 05 dias.
O GOLD recomenda o uso de antibióticos nas seguintes situações:
- Presença de purulência do escarro e pelo menos um dos critérios a seguir: piora da dispneia e aumento do volume do escarro.
- Necessidade de ventilação mecânica invasiva ou não invasiva.
O tempo de antibiótico é de 5 a 7 dias, preferindo 5 dias em pacientes fora do hospital. A escolha inicial do antibiótico envolve amoxicilina/clavulanato ou macrolídeo. Deve-se coletar cultura do escarro em pacientes com exacerbações frequentes, limitação grave ao fluxo de ar ou necessidade de ventilação mecânica. Há maior chance de bactérias resistentes nessas situações.
A ventilação não invasiva é a estratégia ventilatória preferencial em DPOC exacerbada. A taxa de sucesso é de 80 a 85%. A VNI reduz a mortalidade na DPOC exacerbada. As indicações estão na tabela 8. Se o paciente tolera 4 horas sem VNI, já pode suspender sem necessidade de desmame.
Além de condição clínica em deterioração, o GOLD recomenda admissão em UTI para pacientes com pO2 menor que 40 e acidose respiratória com pH menor que 7,25.
Após a alta, orienta-se um retorno entre 1 semana e 1 mês e um segundo retorno entre 3 a 4 meses.
Referências
Efficacy of umeclidinium/vilanterol versus umeclidinium and salmeterol monotherapies in symptomatic patients with COPD not receiving inhaled corticosteroids: the EMAX randomised trial
Maltais F, Bjermer L, Kerwin EM, Jones PW, Watkins ML, Tombs L, Naya IP, Boucot IH, Lipson DA, Compton C, Vahdati-Bolouri M, Vogelmeier CF. Efficacy of umeclidinium/vilanterol versus umeclidinium and salmeterol monotherapies in symptomatic patients with COPD not receiving inhaled corticosteroids: the EMAX randomised trial. Respir Res. 2019.
Factors predictive of airflow obstruction among veterans with presumed empirical diagnosis and treatment of COPD
Collins BF, Feemster LC, Rinne ST, Au DH. Factors predictive of airflow obstruction among veterans with presumed empirical diagnosis and treatment of COPD. Chest. 2015.
Spirometry use in clinical practice following diagnosis of COPD
Lee TA, Bartle B, Weiss KB. Spirometry use in clinical practice following diagnosis of COPD. Chest. 2006.
Diagnosis and management of stable chronic obstructive pulmonary disease: a clinical practice guideline update from the American College of Physicians, American College of Chest Physicians, American Thoracic Society, and European Respiratory Society
Qaseem A, Wilt TJ, Weinberger SE, Hanania NA, Criner G, van der Molen T, Marciniuk DD, Denberg T, Schünemann H, Wedzicha W, MacDonald R, Shekelle P, American College of Physicians, American College of Chest Physicians, American Thoracic Society, European Respiratory Society. Diagnosis and management of stable chronic obstructive pulmonary disease: a clinical practice guideline update from the American College of Physicians, American College of Chest Physicians, American Thoracic Society, and European Respiratory Society. Ann Intern Med. 2011.
GOLD COPD report: 2023 update
Venkatesan P. GOLD COPD report: 2023 update. Lancet Respir Med. 2023.
Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease 2023 Report: GOLD Executive Summary
Agustí A, Celli BR, Criner GJ, Halpin D, Anzueto A, Barnes P, Bourbeau J, Han MK, Martinez FJ, Montes de Oca M, Mortimer K, Papi A, Pavord I, Roche N, Salvi S, Sin DD, Singh D, Stockley R, López Varela MV, Wedzicha JA, Vogelmeier CF. Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease 2023 Report: GOLD Executive Summary. Am J Respir Crit Care Med. 2023.Mídia
Trajetória do volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) ao longo da vida
Figura 1
Tipos etiológicos de DPOC
Tabela 1
Indicações clínicas para considerar o diagnóstico de DPOC
Tabela 2
Diagnóstico diferencial de DPOC
Tabela 3
Gravidade de obstrução ao fluxo aéreo pós-broncodilatador na DPOC
Tabela 4
Escala de dispneia MRC modificado
Tabela 5
Teste de avaliação CAT para DPOC
Tabela 6
Indicação e seguimento de oxigenoterapia na DPOC
Fluxograma 1
Terapias com redução de mortalidade na DPOC
Tabela 7
Terapia farmacológica inicial na DPOC
Figura 2
Seguimento da terapia farmacológica para DPOC
Fluxograma 2
Indicações para ventilação não invasiva na DPOC
Tabela 8Atualização de DPOC: GOLD 2025
Guia TdC - Edição #131Oxigenoterapia Domiciliar
Guia TdC - Edição #101Atualização de DPOC: GOLD 2024
Guia TdC - Edição #94Macrolídeos
Guia TdC - Edição #92DPOC Refratária e Dupilumabe
Guia TdC - Edição #48Antibióticos para DPOC Exacerbada
Guia TdC - Edição #24Vacina Pneumocócica no Adulto
Guia TdC - Edição #3Aproveite e leia:
Vacina Pneumocócica no Adulto
Atualmente, o esquema de vacinação pneumocócica no Brasil é baseado em duas vacinas: VPC13 e VPP23. Em outubro de 2021, o Comitê de Práticas Imunizantes dos Estados Unidos recomendou o uso das novas vacinas PCV15 ou PCV20, considerando uma maior efetividade com relação ao esquema anterior. Assim, trazemos uma revisão do esquema vacinal brasileiro e os principais pontos desta nova recomendação.
DPOC Refratária e Dupilumabe
Em maio de 2023, o New England Journal of Medicine (NEJM) publicou um trabalho com dupilumabe para o tratamento de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) com alto risco de exacerbação. Aproveitando a publicação, este tópico revisa o tratamento dessa fase da doença e a possível aplicação da nova medicação.
Antibióticos para DPOC Exacerbada
O exato papel dos antibióticos nas exacerbações de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) ainda é controverso. Um estudo publicado na Therapeutic Advances in Respiratory Disease em junho de 2022 comparou sete dias versus dois dias de antibióticos para DPOC exacerbada. Vamos ver os achados do estudo e revisar esse tema.
Atualização de DPOC: GOLD 2024
Anualmente é publicada a diretriz do Global Initiative for Chronic Obstrutive Lung Disease (GOLD), um programa internacional sobre a prevenção, diagnóstico e tratamento do paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). O GOLD 2023 já foi coberto no Guia. Este tópico traz as atualizações do GOLD 2024.
Oxigenoterapia Domiciliar
Oxigenoterapia domiciliar pode reduzir a mortalidade de pacientes com hipoxemia grave. Há dúvidas sobre quantas horas diárias são necessárias para atingir esse benefício. O estudo REDOX comparou 15 horas por dia contra 24 horas por dia. Esse tópico traz os resultados do trabalho e discute aspectos práticos sobre o tema.
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Rafaela Almeida
Bom dia! Em relação a um paciente com exacerbação grave de DPOC - iniciamos resgate com SAMA E SABÁ em qual esquema, por exemplo pode ser utilizado intervalados em 20 min ? E o uso de sulfato de magnésio nesses pacientes é válido?
Lucas Jácome
Qual empo de tratamento com azitromicina para aqueles pacientes que apresentam terapia com LABA, LAMA e ICS?
Matheus C. Bevilacqua
Equipe GuiaExcelente dúvida, Lucas! Para pacientes com DPOC em terapia com LABA+LAMA+ICS propensos a exacerbações, o GOLD orienta o uso de azitromicina na dose de 500 mg três vezes na semana ou 250 mg/dia por 1 ano. Estudos referenciados pelo GOLD mostraram que essa estratégia reduz o risco de exacerbações quando comparada ao cuidado usual.
No entanto, é fundamental lembrar de alguns pontos importantes:
- Riscos: Pode estar associada a incidência aumentada de resistência bacteriana, prolongamento do intervalo QTc e alterações em testes auditivos.
- Fumantes ativos: Estudos sugerem que os benefícios podem ser menores nessa população.
- Limitações: Apesar de na prática vermos muitos pacientes fazendo uso da medicação por períodos maiores de 1 ano, não há dados que sustentem a eficácia e segurança do uso crônico (além de 1 ano) para prevenir exacerbações e DPOC.
Essas considerações são importantes ao se considerar a introdução ou manutenção da terapia com azitromicina a longo prazo.
Espero que essa resposta ajude!
DIANE DOURADO
Boa Tarde!
Tem alguma publi aqui sobre as doses do LAMA e LABA aqui para iniciar o tt?
Matheus C. Bevilacqua
Equipe GuiaOlá, Diane!
As doses dos LABAs e LAMAs usados no manejo do DPOC vão depender principalmente das propriedades do agente específico selecionado para uso e no status clínico do paciente. Boa parte dos LABAs, como formoterol e salmeterol, por exemplo, são administrados duas vezes ao dia devido seu tempo de ação de 12 horas. LABAs de ação ultra-longa, como o olodaterol e indacaterol, possuem um tempo de ação de 24h e são administrados uma vez ao dia. LAMAs como o umeclidínio e o tiotrópio são geralmente administrados uma vez ao dia, enquanto o glicopirrônio, por exemplo, é geralmente prescrito duas vezes ao dia. Para a dose exata de cada broncodilatador o melhor lugar para consulta acaba sendo a própria bula das medicações. No GOLD 2025, na figura 3.18 (pág. 81), o relatório compila uma lista com os principais broncodilatadores indicados para o tratamento de manutenção da DPOC e inclui a duração de ação de cada um.
Espero ter ajudado!
lorena lavoyer
Temos de 2024?
João Mendes Vasconcelos
Equipe GuiaOlá Iorena! Teremos sim, estamos definindo o formato! Sairá logo
João Mendes Vasconcelos
Equipe GuiaAqui
https://www.tadeclinicagem.com.br/guia/edition/edicao-94/#atualizacao-de-dpoc-gold-2024
Fernando Borges de Carvalho
Teremos revisão da atualização 2024?
João Mendes Vasconcelos
Equipe GuiaOlá Fernando! Teremos sim, estamos definindo o formato! Sairá logo
João Mendes Vasconcelos
Equipe GuiaAqui! https://www.tadeclinicagem.com.br/guia/edition/edicao-94/#atualizacao-de-dpoc-gold-2024
Flora Reis
Cade o 2024
João Mendes Vasconcelos
Equipe GuiaOlá Flora! Teremos sim, estamos definindo o formato! Sairá logo
João Mendes Vasconcelos
Equipe GuiaAqui!
https://www.tadeclinicagem.com.br/guia/edition/edicao-94/#atualizacao-de-dpoc-gold-2024
Carolina Araujo
Azitromicina seria apenas do DPOC por tabagismo?
Matheus C. Bevilacqua
Equipe GuiaÓtima pergunta, Carolina! A princípio, o GOLD orienta considerar a associação de azitromicina em pacientes com DPOC, independente da etiologia, que não estejam fumando atualmente e que continuem apresentando exacerbações mesmo em uso de LABA+LAMA e contagem de eosinófilos < 100 cél/μL ou LABA+LAMA+ICS. No entanto, No entanto, os estudos citados pelo GOLD para fundamentar essa recomendação avaliaram apenas paciente com histórico de tabagismo, tendo observado redução significativa de exacerbações em ex-tabagistas e menor benefício em tabagistas ativos. Seu benefício em pacientes sem histórico de tabagismo, porém, não é claramente estabelecido
Han MK, Tayob N, Murray S, et al. Predictors of chronic obstructive pulmonary disease exacerbation reduction in response to daily azithromycin therapy. Am J Respir Crit Care Med. 2014;189(12):1503-1508. doi:10.1164/rccm.201402-0207OC
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24779680/
Flora Reis
Mttt bomm
Letícia Maciel Freire
gente, vejo muitos casos de DPOC grave que acabam precisando de VM nos quais o corticoide vai sendo prolongado indefinidamente diante da melhora lenta (> 5d). há evidência nessa manutenção da pred?
Matheus C. Bevilacqua
Equipe GuiaOlá, Letícia! Excelente dúvida. O GOLD recomenda uma dose de 40 mg de prednisona (ou equivalente) por dia durante 5 dias para pacientes em exacerbação do DPOC. Apesar de alguns estudos apresentarem divergência, o estudo mais bem desenhado (REDUCE) viu que 5 dias não parece ter diferença em relação a períodos mais prolongados, sendo que essa dose por esse período parece ser suficiente para proporcionar melhora no tempo de recuperação, função pulmonar (VEF1), oxigenação, risco de recaída e tempo de hospitalização.
Um outro trabalho que avaliou especificamente pacientes com DPOC exacerbado internado em UTI, não necessariamente intubados (1), observou que cursos curtos de corticoide (< 5 dias) parece estar associado a menor tempo de internação e menor exposição a corticoide sem aumento de risco de falha terapêutica, porém ainda existe falta de um estudo prospectivo randomizado para confirmar esses achados.
Manter o corticoide além desse período – mesmo em casos de pacientes graves em ventilação mecânica – foi associado a risco aumentado de pneumonia e maior mortalidade, quando considerado o uso exclusivamente para DPOC (2). Em caso de pacientes com pneumonia grave associada, existe recomendação para corticoterapia e a depender do cenário, desmame prolongado (3). Vale a pena dar uma olhada no nosso tópico ‘Corticoides na Pneumonia Adquirida na Comunidade’ para mais detalhes.
O GOLD inclusive enfatiza que corticosteroides por via oral apresentam a mesma eficácia que administração por via endovenosa, e que talvez corticosteroides sejam menos eficazes em tratar exacerbações agudas de DPOC em pacientes com menores contagens de eosinófilos, podendo talvez até serem deixados de lado nesses casos, segundo alguns estudos.
Em resumo, não há evidência que apoie a manutenção indefinida dos corticoides nesses casos simplesmente pela gravidade ou evolução arrastada da exacerbação do DPOC – o ideal é limitar a 5 dias, salvo em casos onde haja outra indicação para a manutenção da medicação.
Em resumo, 5 dias parece ser o ideal para a maioria dos pacientes, incluindo aqueles internados e com DPOC grave (a doença grave, não a exacerbação em si). Não encontramos um ensaio clínico específico para sua pergunta mas a evidência geral aponta para ausência de benefício com cursos prolongados, especialmente maiores que 14 dias (4). Em pacientes com melhora lenta, alguns médicos fazem um desmame mais lento do que 5 dias de corticoide, apesar da ausência de evidência clara de benefício. Fatores individuais (eosinofilia, outras indicações, risco de eventos adversos) devem ser ponderados, mas 5 dias parece razoável mesmo para esse grupo e, caso se opte por estender esse tempo, nunca nunca mais que 14 dias.
Espero ter ajudado!
1. Poon T, Paris DG, Aitken SL, Patrawalla P, Bondarsky E, Altshuler J. Extended Versus Short-Course Corticosteroid Taper Regimens in the Management of Chronic Obstructive Pulmonary Disease Exacerbations in Critically Ill Patients. J Intensive Care Med. 2020;35(3):257-263. doi:10.1177/0885066617741470
https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/0885066617741470?url_ver=Z39.88-2003&rfr_id=ori:rid:crossref.org&rfr_dat=cr_pub%20%200pubmed
2. Sivapalan P, Ingebrigtsen TS, Rasmussen DB, et al. COPD exacerbations: the impact of long versus short courses of oral corticosteroids on mortality and pneumonia: nationwide data on 67 000 patients with COPD followed for 12 months. BMJ Open Respir Res. 2019;6(1):e000407. Published 2019 Mar 30. doi:10.1136/bmjresp-2019-000407
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31179005/
3. Dequin PF, Meziani F, Quenot JP, et al. Hydrocortisone in Severe Community-Acquired Pneumonia. N Engl J Med. 2023;388(21):1931-1941. doi:10.1056/NEJMoa2215145
https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2215145
4. Niewoehner DE, Erbland ML, Deupree RH, et al. Effect of systemic glucocorticoids on exacerbations of chronic obstructive pulmonary disease. Department of Veterans Affairs Cooperative Study Group. N Engl J Med. 1999;340(25):1941-1947. doi:10.1056/NEJM199906243402502
https://www.nejm.org/doi/10.1056/NEJM199906243402502?url_ver=Z39.88-2003&rfr_id=ori:rid:crossref.org&rfr_dat=cr_pub 0www.ncbi.nlm.nih.gov
Letícia Maciel Freire
nossa, obrigada! que resposta completíssima, valeuzão!
Matheus Chaves
O início do tratamento é apenas com broncodilatador ?
Matheus C. Bevilacqua
Equipe GuiaOlá, Matheus! Muito obrigado pela pergunta.
Como discutido no tópico, não existem ensaios clínicos randomizados para guiar o início da tratamento. O GOLD propõe guiar o início da terapia pela classificação A, B e E, sendo que, independente do grupo, todos os pacientes terão indicação de broncodilatador. No caso do grupo E, composto por pacientes com alto risco de exacerbação, independente de sintomas, e que apresentarem eosinófilos maiores que 300 células/μL, deve-se considerar iniciar o tratamento já com a tripla terapia contendo corticoide inalatório (ICS) em associação com dupla broncodilatação com LABA+LAMA. A seção “DPOC estável: medicações iniciais” e a Figura 2 demonstram mais detalhes sobre o esquema farmacológico inicial para cada grupo.
Além da farmacoterapia inicial, ao iniciar o tratamento, o GOLD reforça a importância de orientar também cessação de tabagismo, vacinação, atividade física regular, técnica inalatória adequada e de se realizar o manejo das demais comorbidades/doenças do paciente.
Brunna Correia
Qual o posicionamento quanto ao uso da terbutalina SC?
Matheus C. Bevilacqua
Equipe GuiaOlá, Brunna! Ótima pergunta.
A terbutalina é um agonista beta-2 adrenérgico tradicionalmente usada no manejo do broncoespasmo em pacientes com asma e bronquite crônica. No entanto, seu uso na DPOC não é amplamente recomendado pelas diretrizes atuais, como é o caso do GOLD, que não menciona terbutalina como parte do tratamento padrão para DPOC, independente da vias de administração. Tais diretrizes indicam os broncodilatadores inalatórios de longa duração, como os LABAs e os LAMAs, como primeira linha para o tratamento da DPOC, tendo em vista sua maior eficácia e melhor perfil de segurança.
O uso subcutâneo (SC) da terbutalina já chegou a demonstrar melhora aguda de parâmetros respiratórios, como VEF1, indicando eficácia na reversão do broncoespasmo, porém esses achados se restringem a estudos isolados e em sua maioria anteriores ao desenvolvimento da maioria dos broncodilatadores utilizados na atualidade. A via SC pode ser útil em cenários de emergência, especialmente quando a inalação não é viável — por exemplo, em pacientes que não conseguem usar dispositivos inalatórios adequadamente ou em casos de broncoespasmo refratário. Nesses casos, porém, deve-se sempre ponderar se a medida não estaria apenas atrasando a obtenção de uma via aérea definitiva, por exemplo, já indicada naquele momento. Segundo a bula, onde consta apenas orientação para uso na asma, a dose inicial é de 0,25 mg SC 1 vez; em caso de persistência de sintomas severos após a dose inicial, a mesma dose pode ser repetida a cada 20 minutos para um total de 3 doses.
Luma Burgos Pinheiro Castelo Branco
Qual laba e lama mais indicado ?
Matheus C. Bevilacqua
Equipe GuiaOlá, Luma! Tudo tranquilo? Excelente pergunta! Ela sempre aparece em discussões sobre DPOC.
O GOLD 2025 deixa claro que a combinação LABA+LAMA é a escolha inicial para pacientes sintomáticos (Grupo B) e pacientes com alto risco de exacerbação (Grupo E). No entanto, não há recomendação para LABA e LAMA específicos como os ‘mais indicados’ logo de início. Isso difere da asma, em que há uma preferência pelo formoterol.
As diretrizes sugerem basear a escolha numa combinação de fatores, incluindo disponibilidade, custo, perfil de efeitos adversos e resposta individual do paciente. Atualmente em 2025, por exemplo, o SUS disponibiliza o fenoterol (LABA), o formoterol (LABA), o tiotrópio + olodaterol (LABA + LAMA) e o umeclidínio + vilanterol (LABA + LAMA) para seus usuários portadores de DPOC via sua rede de farmácias de alto custo, sendo para a maioria delas necessária laudo de pletismografia ou espirometria realizada nos últimos 6 meses apontando distúrbio ventilatório obstrutivo e relatório médico informando quadro clínico e funcional de DPOC do paciente, além do Laudo de Solicitação, Avaliação e Autorização de Medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (LME).
Pensando nessa escolha baseada no perfil do paciente, objetivando maior adesão ao tratamento, por exemplo, um paciente com indicação de LABA + LAMA + ICS talvez se beneficie mais da prescrição de uma medicação que associe o umeclidínio e o vilanterol com a fluticasona em um único dispositivo, como é o caso do de nome comercial Trelegy®, do que a de dois dispositivos distintos com os mesmos fármacos, um com umeclidínio + vilanterol (nome comercial Anoro®) e outro apenas com fluticasona (nome comercial Fluxotide®). Contudo, se não for possível unir as medicações em um mesmo dispositivo, eles podem ser feitos em dispositivos diferentes.
Outro exemplo seria um paciente com dificuldade para gerar um fluxo inspiratório para inalar partículas maiores e mais pesadas, como as presentes em dispositivos com os fármacos na forma de pó seco inalável. Para um paciente como esse, talvez uma medicação como o Spiolto® (nome comercial da associação tiotrópio + olodaterol em forma de névoa - SMI), que exige menores fluxos inspiratórios para uso adequado, seja melhor indicada em relação a uma como o Anoro® (umeclidínio + vilanterol em forma de pó seco inalável - DPI), que exige maior fluxo para que o pó seja arrastado até os pulmões.
Resumindo, o importante é garantir o uso de um broncodilatador de longa ação adequado ao grupo GOLD do paciente. A escolha exata do LABA e do LAMA vai depender do contexto clínico e da disponibilidade dos medicamentos na sua prática.
Espero ter ajudado!
Brasil. Ministério da Saúde. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). Relatório de recomendação: Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Brasília: Ministério da Saúde; 2021. 56 p.
https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/consultas/relatorios/2021/20210623_relatorio_pcdt_doenca_pulmonar_obstrutiva_cronica.pdf/view
São Paulo. Secretaria de Estado da Saúde. Coordenadoria de Assistência Farmacêutica. Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica: relação de exames e documentos para solicitação de medicamentos no Componente Especializado da Assistência Farmacêutica. Atualizado em 06 de abril de 2023.
https://saude.sp.gov.br/resources/ses/perfil/cidadao/acesso-rapido/medicamentos/relacao-estadual-de-medicamentos-do-componente-especializado-da-assistencia-farmaceutica/consulta-por-protocolo-clinico-e-diretriz-terapeutica/27_dpoc_2.pdf
Raíssa Dall'Oglio
Tem alguma informação sobre uso de terbutalina subcutâneo ou endovenoso?
Matheus C. Bevilacqua
Equipe GuiaOlá, Raíssa! Ótima pergunta para pensarmos sobre o que realmente existe de evidência para o que muitas vezes observamos sendo feito na prática.
A terbutalina é um agonista beta-2 adrenérgico tradicionalmente usada no manejo do broncoespasmo em pacientes com asma e bronquite crônica. No entanto, seu uso na DPOC não é amplamente recomendado pelas diretrizes atuais, como é o caso do GOLD, que não menciona terbutalina como parte do tratamento padrão para DPOC, independente da vias de administração. Tais diretrizes indicam os broncodilatadores inalatórios de longa duração, como os LABAs e os LAMAs, como primeira linha para o tratamento da DPOC, tendo em vista sua maior eficácia e melhor perfil de segurança.
O uso subcutâneo (SC) da terbutalina já chegou a demonstrar melhora aguda de parâmetros respiratórios, como VEF1, indicando eficácia na reversão do broncoespasmo, porém esses achados se restringem a estudos isolados e em sua maioria anteriores ao desenvolvimento da maioria dos broncodilatadores utilizados na atualidade. A via SC pode ser útil em cenários de emergência, especialmente quando a inalação não é viável — por exemplo, em pacientes que não conseguem usar dispositivos inalatórios adequadamente ou em casos de broncoespasmo refratário. Nesses casos, porém, deve-se sempre ponderar se a medida não estaria apenas atrasando a obtenção de uma via aérea definitiva, por exemplo, já indicada naquele momento. Segundo a bula, onde consta apenas orientação para uso na asma, a dose inicial é de 0,25 mg SC 1 vez; em caso de persistência de sintomas severos após a dose inicial, a mesma dose pode ser repetida a cada 20 minutos para um total de 3 doses.
A administração endovenosa (EV) de terbutalina, por sua vez, tem evidência ainda mais restrita no contexto da DPOC e deve ser evitada por maior associação com efeitos adversos.
Ney Neto
Muito boa revisao parabens
Luís Filipe Roriz Jacomossi de Oliveira
No corpo do texto é referido “Se < 92%, deve-se solicitar uma gasometria arterial.”, mas no podcast é dito menor ou igual. E, ainda, o CAT passa pela mesma questão “>10” para classificação B e no podcast maior ou igual.
João Mendes Vasconcelos
Equipe GuiaObrigado pelo apontamento Luís Filipe, é menor ou igual e maior ou igual. Já efetuamos o ajuste. Agradecemos pela correção.
Renata Silva
Excelente revisão.
Tialisson Scotti
Qual o papel da acetilcisteina?
João Mendes Vasconcelos
Equipe GuiaOi Tialisson! O papel da acetilcisteina e outras substâncias mucolíticas não é claro. O GOLD 2023 diz o seguinte: “Em pacientes com DPOC que não estão em uso de corticoide inalatorio, o tratamento regular com mucoliticos pode reduzir exacerbações e melhorar discretamente a qualidade de vida.” Contudo o documento não faz uma recomendação formal. Existe uma revisão da Cochrane (vou linkar no comentário a seguir) que encontrou um benefício discreto em redução de exacerbação, mas com bastante heterogeneidade entre os estudos e imprecisão nos resultados. Um aparente benefício em redução de exacerbação também foi encontrado para a acetilcisteina em uma revisão de 2017. Há dúvida também se o uso concomitante de um corticoide inalatorio não anularia o beneficio dos mucolíticos. De todo modo, é possível dizer que: 1) Acetilcisteina e mucoliticos não fazem parte da terapia padrão de DPOC 2) Se existir algum benefício, ele é pequeno e se concentra na redução de exacerbações 3) O benefício so ocorre em doses altas (maior ou igual a 1200mg/dia), especialmente naqueles que não usam corticoide inalatorio 4) É possível tentar a acetilcisteina naqueles com exacerbações frequentes a despeito de terapia otimizada e secreção abundante 5) Deve-se evitar a via inalatoria pelo potencial de desencadear broncoespasmo
João Mendes Vasconcelos
Equipe Guiahttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31107966/
João Mendes Vasconcelos
Equipe Guiahttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28753070/
Nathanny Silva
Ótima Revisão ! Guia valendo demais !
Rafaela Saragiotto
Ótima revisão!!
Karoline Rodrigues
Na exacerbação se um paciente já usava um broncodilatador de longa, eu mantenho e acrescento um de curta? Ou uso só dose de resgate-se do de longa? Fiquei na dúvida no trecho do texto que fala pra manter se já fizer isso.
Se é manter só ele ou acrescer o de curta tb.
João Mendes Vasconcelos
Equipe GuiaOlá Karoline! O GOLD recomenda sempre acrescentar um de curta ação durante a exacerbação. Além disso, se o paciente já usava um de longa antes da exacerbação, orienta não suspender o de longa, apesar de isso nunca ter sido estudado. Se o paciente não usava um de longa, este deve ser acrescentado o mais cedo possível, sempre antes da alta hospitalar. Vamos modificar esse trecho da sua dúvida para ficar mais claro! Obrigado
Eduarda Belasque Vriesmann
Gostei muito!! Parabéns 👊🏼✨
Rebeca Danielly da Fonseca Farias
Perfeito! ❤️
Mateus Aguiar da Costa Lopes
Episódio sensacional! 👏🏽
Analucia Maranhão
Muito boa revisão. Parabéns!
Felipe Tommasi
Perfeito! Muito bom!!
Bruna Carolyne Venancio Lima
Melhor revisão até agora 😍👏🏼
Elisandra Nascimento
Mostra a figura dos quadro do DPOC ABCDE !
JOAO FELIPE BERNARDI LORA
pois é, eu adorava aquele quadradinho do ABCD, agora lascou a memoria fotografica
Arthur Goulart Pagani
acho que desse jeito ficou até mais fácil. A e B continuam sendo a mesma coisa que sempre foram. Além disso, todos aqueles a quem antes a gente chamava de C ou D agora devem ser chamados, como um todo, de E.
Gabriel Feitosa
Uma correção: o fenótipo sintomático é MRC maior ou igual a 2 na classifição.
Gabriel Feitosa
Classificação*
João Mendes Vasconcelos
Equipe GuiaObrigado pelo apontamento Gabriel! Corrigido já