Edição #147 - Escolha dos Editores 2025

Medicina de Emergência, Intensiva e Hospitalar: Escolha dos Editores 2025

Criado em: 29 de Dezembro de 2025 Autor: Revisor: Nordman Wall

Esse especial de fim de ano reúne os melhores conteúdos de medicina de emergência, intesiva e hospitalar publicados no Guia em 2025, selecionados por impacto na prática dos assinantes. Atualizações que mudam conduta, revisões objetivas e pontos-chave.

ACLS 2025: Consensos Americano e Europeu

Veja a revisão "ACLS 2025: Consensos Americano e Europeu" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • O suporte básico de vida, constituído pelas manobras de compressão cardíaca, ventilação e desfibrilação precoce, é a intervenção mais importante na PCR extra-hospitalar. A AHA pontua que as prioridades no atendimento de uma PCR são: desfibrilar um ritmo chocável precocemente; iniciar manobras de compressão cardíaca de alta qualidade e identificar a etiologia de PCR.
  • A primeira conduta diante de uma suspeita de PCR é acionar ajuda, direcionando alguém a buscar um desfibrilador externo automático (DEA) e a comunicar o serviço de emergência. Após o pedido de ajuda, deve-se verificar um pulso central, como o carotídeo, por pelo menos 5 segundos e, no máximo, 10 segundos. Na ausência de pulso, as compressões torácicas devem ser iniciadas imediatamente, seguindo a sequência C-A-B (compressões, via aérea, ventilação). Caso a ventilação não seja possível, as compressões devem ser mantidas continuamente, reduzindo as interrupções ao mínimo necessário.
  • Quando indicada, a desfibrilação deve ser realizada o mais precocemente possível. Estima-se que cada minuto de atraso na desfibrilação esteja associado a uma redução de cerca de 6% na sobrevida. Durante as compressões, deve-se avaliar a qualidade das manobras, buscar ativamente causas reversíveis da PCR e obter um acesso vascular. Quando não for possível um acesso vascular, pode-se adquirir um acesso intraósseo.
  • Pausas durante as compressões devem durar o mínimo possível. A interrupção deve ocorrer para realizar três ações prioritárias: avaliação imediata do ritmo cardíaco; verificação rápida de pulso (somente se houver ritmo organizado) e aplicação de choque caso o ritmo seja FV ou TVSP.
  • Na presença de linha reta no monitor, deve-se avaliar cabos e possíveis desconexões do aparelho, realizar aumento do ganho de amplitude para avaliar a presença de FV fina e modificar a derivação. Apenas após essas etapas deve-se considerar a linha reta como assistolia.
  • Apenas ritmos de FV e TVSP são considerados chocáveis e devem ser desfibrilados quanto antes. Antes da aplicação do choque, a segurança da equipe deve ser garantida afastando máscara e fontes de oxigênio. Deve-se avisar verbalmente à equipe com contagem regressiva para aplicação do choque.
  • Após a desfibrilação, não se deve checar o pulso ou o ritmo cardíaco imediatamente. As compressões torácicas devem ser retomadas.
  • Ainda não há consenso entre diretrizes sobre o manejo de casos de FV/TVSP refratárias (manutenção do ritmo após terceiro choque). O ERC sugere a mudança do vetor das pás como opção e recomenda contra a desfibrilação sequencial com dois pares de pás devido ao risco de segurança da equipe. A AHA não se posiciona, indicando ausência de evidências robustas para a realização de recomendações.
  • Capnografia e PAI podem auxiliar durante a RCP como preditores de RCE e da qualidade das compressões. Dispositivos de feedback (audiovisuais ou sensores de força) são estimulados para treinamentos, mas não possuem evidência de melhora da qualidade da RCP durante atendimento médico. A compressão torácica por dispositivos autônomos (ex: LUCAS) pode ser utilizada em cenários de difícil realização de RCP, como durante transporte. O uso do ECMO é validado e deve ser feito conforme protocolos em centros de referência.
  • As diretrizes diferem sobre o momento para realização de adrenalina em ritmos chocáveis, carga elétrica para cardioversão em taquiarritmias e manejo do paciente com monitoramento invasivo. A tabela 3 resume os principais pontos e atualizações dos documentos de 2025.

Medicamentos na Parada Cardiorrespiratória (PCR)

Veja o tópico "Medicamentos na Parada Cardiorrespiratória (PCR)" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • A adrenalina na PCR é administrada na dose de 1 mg a cada 3-5 minutos. O medicamento entra no 1º ciclo nos ritmos não chocáveis e no 2º ciclo nos chocáveis, após a segunda desfibrilação se o ritmo persistir. Existe associação com pior desfecho quando usada muito precocemente após a desfibrilação, possivelmente por aumentar a demanda miocárdica em causas tipicamente cardíacas.
  • Amiodarona deve ser administrada em no máximo duas doses, por via intravenosa ou intraóssea. A primeira dose é de 300 mg e a segunda dose de 150 mg, aplicada 3 a 5 minutos após a primeira. A administração deve ser feita em bolus, o que só pode ser feito em situação de PCR. 
  • A alteplase pode ser considerada durante a PCR quando há suspeita de tromboembolismo pulmonar como causa. A diretriz da European Society of Cardiology (ESC) cita o esquema de 0,6 mg/kg em 15 minutos (dose máxima de 50 mg), mas não há consenso sobre a melhor posologia nesse cenário.

Nova Diretriz de Hipertensão Arterial no Paciente Internado

Veja o tópico "Nova Diretriz de Hipertensão Arterial no Paciente Internado" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • A diretriz da American Heart Association (AHA) é o primeiro posicionamento de sociedade sobre o manejo da elevação da pressão arterial no paciente internado e no departamento de emergência. O documento retira os termos “crise hipertensiva” e “urgência hipertensiva” para evitar tratamento precipitado sem benefício comprovado e reforça que a emergência hipertensiva é definida pela presença de lesão de órgão-alvo (LOA), não apenas pelo valor da pressão.
  • O primeiro passo da avaliação do paciente com pressão elevada confirmada, especialmente acima de 180/110–120 mmHg, é procurar por evidências de LOA. Na presença de LOA, deve-se iniciar prontamente o tratamento para reduzir a pressão arterial. 
  • Após descartar LOA, a abordagem recomendada para o paciente com pressão arterial elevada é avaliar se a aferição foi feita corretamente, identificar causas reversíveis, interromper ou reconsiderar medicamentos que contribuem com a elevação da pressão arterial e reconciliar medicamentos de uso contínuo do paciente.
  • A diretriz recomenda evitar o uso de medicamentos intravenosos ou sob demanda (“se necessário”) para controle da pressão arterial em pacientes assintomáticos. Essa intervenção está associada a piores desfechos, como diminuição excessiva da pressão arterial, eventos cardiovasculares e injúria renal aguda.

Intoxicação por Metanol

Veja o tópico "Intoxicação por Metanol" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • Deve-se suspeitar de intoxicação por metanol em pacientes com história de ingestão alcoólica que apresentam após 6 - 12 horas um ou mais dos seguintes sintomas: manifestações visuais (como amaurose, diplopia e escotomas), piora ou persistência de rebaixamento do nível de consciência, ataxia, dor abdominal, náuseas ou vômitos. Todo caso suspeito deve ser notificado.
  • O diagnóstico definitivo com a dosagem sérica de metanol pode não estar disponível a tempo, portanto o diagnóstico presuntivo deve ser realizado com base em clínica sugestiva (como ingestão de álcool associada a alterações visuais) e alterações laboratoriais (acidose metabólica com anion gap elevado associado). Aumento do gap osmolar sugere o diagnóstico, mas níveis normais não excluem a hipótese de intoxicação por metanol.
  • O tratamento deve ser iniciado na suspeita clínica e se baseia em quatro pilares: correção da acidose com bicarbonato para pacientes com pH < 7,3; uso dos antídotos fomepizol ou etanol; hemodiálise se o paciente apresentar alterações visuais, pH < 7,1 metanol sérico > 50 mg/dL ou estimativa de ingesta de metanol > 30 mL; uso do ácido folínico 1 mg/kg (máx: 50mg) a cada 4 ou 6 horas.

Reações Adversas ao Uso de Contraste Iodado: Consenso da ACR e Diretriz Europeia de 2025

Veja o tópico "Reações Adversas ao Uso de Contraste Iodado: Consenso da ACR e Diretriz Europeia de 2025" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • Reação adversa ao contraste iodado é um termo abrangente que inclui reações de hipersensibilidade, fisiológicas, toxicidade (ex: nefropatia induzida por contraste), extravasamento e hipervolemia. As reações de hipersensibilidade e fisiológicas podem ocorrer imediatamente após a infusão de contraste e são estratificadas conforme a gravidade.
  • Reações moderadas, como edema de face e broncoespasmo, merecem tratamento sintomático e monitorização pelo risco de evolução para formas graves. Formas graves como a anafilaxia são os eventos de maior risco aos pacientes e devem ser reconhecidas e tratadas imediatamente. Na dúvida entre uma reação fisiológica e de hipersensibilidade, deve-se tratar como hipersensibilidade.
  • Para pacientes com histórico de reação adversa imediata grave ao contraste iodado, primeiro deve-se tentar uma alternativa que não envolva um exame contrastado. Se não for possível, o novo consenso da ACR recomenda a troca do agente iodado para o novo exame e considerar pré-medicação.
  • A pré-medicação não é recomendada para prevenir reações imediatas leves.
  • Não há correlação entre alergia a frutos-do-mar ou “alergia a iodo” com reações adversas por contraste.

Edição #147 - Escolha dos Editores 2025

Neurologia, Infectologia, Geriatria, Cuidados Paliativos e Oncologia: Escolha dos Editores 2025

Criado em: 29 de Dezembro de 2025 Autor: Revisor: João Mendes Vasconcelos

Esse especial de fim de ano reúne os melhores conteúdos de neurologia, infectologia, geriatria, cuidados paliativos e oncologia publicados no Guia em 2025, selecionados por impacto na prática dos assinantes. Atualizações que mudam conduta, revisões objetivas e pontos-chave.

Nova diretriz de Tratamento de Pneumonia

Veja o tópico "Nova Diretriz Americana de 2025 sobre Tratamento de Pneumonia" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • A diretriz atual da ATS orienta que pacientes com pneumonia não grave, ambulatoriais ou hospitalizados, podem ter duração de tratamento por menos do que cinco dias, com mínimo de três dias. Isso somente se aplica a pacientes com estabilidade clínica.
  • ⁠Corticoides são recomendados em pacientes com pneumonia grave (recomendação fraca), excluindo aqueles com influenza. O corticoide de escolha é a hidrocortisona.
  • ⁠A diretriz sugere não prescrever antibiótico em pacientes ambulatoriais sem comorbidades se houver confirmação de vírus respiratório.
  • ⁠O ultrassom pode ser usado como ferramenta diagnóstica inicial quando a radiografia não for acessível. Os achados de pneumonia incluem consolidações hiperecogênicas mal definidas, com broncogramas aéreos dinâmicos, e linhas B pleurais não-uniformes pelo tórax.

Nova Diretriz de Meningite Bacteriana Comunitária

Veja o tópico "Nova Diretriz de Meningite Bacteriana Comunitária" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • Em 2024, os agentes mais comuns de meningite no Brasil foram Streptococcus pneumoniae (27%), Neisseria meningitidis (15%) e M. tuberculosis (7%).
  • Nenhuma combinação de sinais e sintomas exclui ou confirma meningite antes da punção lombar. Se existe a suspeita de meningite, a punção lombar deve ser feita.
  • Em pacientes de maior risco de herniação cerebral, a diretriz da OMS sugere que uma TC de crânio seja realizada antes da punção lombar. As características do líquor ajudam a diferenciar etiologias bacterianas de virais.
  • Ceftriaxona ou cefotaxima são o tratamento empírico para todos os pacientes. O aumento de resistência do S. pneumoniae no Brasil pode indicar adição de vancomicina em algumas regiões. 

Nova Diretriz Americana de 2025 sobre Tratamento de Infecção Urinária Complicada

Veja o tópico "Nova Diretriz Americana de 2025 sobre Tratamento de Infecção Urinária Complicada" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • A nova classificação da IDSA divide ITU em complicada e não complicada. ITU complicada se refere a quadros com sintomas sistêmicos como febre, calafrios, instabilidade hemodinâmica e/ou dor lombar. Pielonefrite é considerado uma ITU complicada. Já a ITU não complicada é restrita à bexiga (disúria, polaciúria, dor suprapúbica) sem febre ou sintomas sistêmicos, e pode ocorrer em mulheres ou homens.
  • O tratamento empírico da ITU complicada depende da presença de sepse. O uso racional de antibióticos sugerido pela diretriz pode ser realizado a partir de uma abordagem de quatro etapas: avaliação da gravidade do caso, fatores de risco para microrganismo resistente, fatores específicos do paciente, e perfil de sensibilidade local.
  • O tratamento deve ser transicionado para via oral, quando possível. A duração de tratamento não deve ultrapassar 7 dias em pacientes que cursam com melhora, excetuando casos com suspeita de prostatite aguda ou infecções de foco não resolvido (obstrução urinária ou abscessos maiores que 3 - 5 cm).

Diagnóstico de Morte Encefálica

Veja o tópico "Diagnóstico de Morte Encefálica" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • Morte encefálica (ME) é a cessação definitiva de todas as funções do encéfalo, caracterizada por coma não responsivo, ausência de reflexos de tronco e apneia. O diagnóstico de ME equivale legalmente ao óbito.
  • A legislação brasileira exige que sejam cumpridos quatro critérios para o diagnóstico de ME: identificação de causa conhecida e irreversível para o coma, exclusão de fatores confundidores, dois exames clínicos e um teste de apneia compatíveis com o diagnóstico e confirmação por exame complementar.
  • Antes de iniciar os testes, deve-se excluir condições que possam simular esse estado. Embora a hipernatremia refratária ao tratamento não contraindique o diagnóstico de ME, isso só se aplica quando ela não for a única causa do coma. A conduta quanto a sedativos e bloqueadores neuromusculares depende do contexto. Se administrados por infusão contínua ou quantidades desconhecidas, é necessário aguardar um intervalo mínimo de quatro a cinco meias-vidas após sua suspensão.
  • Os exames neurológicos para o diagnóstico de ME devem ser realizados por dois médicos, cada um com experiência mínima de um ano no atendimento a pacientes em coma e que já tenham realizado ou acompanhado pelo menos dez determinações de ME ou realizado um curso de capacitação. A repetição do exame clínico pelo segundo médico deve ocorrer com um intervalo mínimo de uma hora após o primeiro exame. Não é necessário repetir o teste de apneia quando o resultado do primeiro teste for compatível com ME.

Cuidados Paliativos: Indicação, Critérios de Terminalidade e Escalas Prognósticas

Veja o tópico "Cuidados Paliativos: Indicação, Critérios de Terminalidade e Escalas Prognósticas" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • Durante a trajetória das doenças potencialmente ameaçadoras à vida, os cuidados paliativos e as terapias modificadoras de doenças terão importâncias distintas conforme a evolução do quadro. O comprometimento da capacidade de realizar tarefas rotineiras de forma autônoma é um dos principais sinais de que a doença está evoluindo para sua fase final.
  • O conceito de terminalidade envolve o entendimento de uma pessoa com uma condição de saúde que não possui cura e com expectativa de vida de, no máximo, um ano. Fim de vida é o momento da vida em que a pessoa perde a funcionalidade por uma condição de saúde incurável, com aumento da carga de sintomas e da necessidade de cuidados. Expectativa de vida inferior a seis meses. Processo ativo de morte são as horas a dias que antecedem a morte, caracterizada pelas disfunções de órgãos e sistemas. Pode ser identificado pela presença de sinais e sintomas relacionados ao fim de vida.
  • Cuidados paliativos estão indicados para todos os indivíduos com doenças potencialmente ameaçadoras à vida, independentemente do estágio de evolução. Algumas ferramentas foram criadas para auxiliar o profissional de saúde na tomada de decisão como o SPICT-BR e GSF.
  • A avaliação prognóstica é frequentemente enganosa e costuma ser mais otimista que o prognóstico real se não for realizado de forma estruturada. Recomenda-se o uso de escalas com indicadores gerais e específicos de mau prognóstico relacionados com a condição de base do paciente. Exemplos de escalas são: PPS, PPI, MAGGIC, BODE, Child-Pugh, KDIGO e FAST.

Quimioterápicos e Eventos Adversos

Veja a revisão "Quimioterápicos e Eventos Adversos" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • O tratamento quimioterápico pode ter quatro objetivos: primário curativo, adjuvante, neoadjuvante ou paliativo. Os quimioterápicos podem ser organizados por mecanismo de ação. As classes agrupam perfis de toxicidade similares.
  • A referência para graduação de eventos adversos em oncologia é o Common Terminology Criteria for Adverse Events (CTCAE). A classificação orienta decisões de tratamento. Em geral, eventos de grau 1 e 2 são de manejo ambulatorial, enquanto os eventos de grau 3 e 4 necessitam de cuidado mais intenso e costumam requerer internação.
  • Náuseas e vômitos induzidos pela quimioterapia podem atingir mais de 90% dos pacientes se não houver profilaxia adequada. A profilaxia deve ser guiada pelo potencial emetogênico do esquema.
  • A diarreia é mais comum com fluoropirimidinas (5-fluoruracil e capecitabina) e irinotecano. O manejo depende da gravidade conforme o CTCAE versão 5.0.
  • A prevenção é a medida mais efetiva para mucosite. A avaliação odontológica antes do tratamento é a intervenção de maior impacto. Quando a mucosite está estabelecida, o objetivo é controle da dor, manutenção da via oral e prevenção de infecções.
  • Níveis de neutrófilos inferiores a 500 células/μL (neutropenia grave ou grau 4 pelo CTCAE) são comuns durante a quimioterapia. Na presença de febre em um paciente com câncer, a neutropenia grave determina o diagnóstico operacional de neutropenia febril. Este quadro é uma emergência médica. Veja mais em "Consenso Brasileiro de Neutropenia Febril".
  • A alopecia pode dificultar a adesão ao tratamento e piorar a qualidade de vida. Geralmente é reversível, mas a recuperação pode levar meses a anos. Em pacientes em uso de taxanos, especialmente docetaxel, pode ocorrer alopecia persistente. A indução de hipotermia no escalpo pode reduzir o risco de alopecia.
  • A manifestação típica da neuropatia associada a quimioterápicos é de polineuropatia com predomínio sensitivo e acometimento distal, bilateral e simétrico (em “bota e luva”). Quando há dor neuropática, a duloxetina foi o único medicamento que demonstrou eficácia em estudo randomizado controlado por placebo.
  • A cardiotoxicidade pelas antraciclinas tem relação com a dose. Quando ocorre associada a sintomas de insuficiência cardíaca ou resulta em fração de ejeção inferior a 50%, é indicada a suspensão do tratamento oncológico e o manejo de acordo com as diretrizes de insuficiência cardíaca.
  • Os agentes com maior nefrotoxicidade são a cisplatina, ciclofosfamida, ifosfamida e a gencitabina. 

Efeitos Adversos dos Inibidores de Checkpoints Imunes

Veja o tópico "Inibidores de Checkpoints Imunes no Tratamento do Câncer: Efeitos Adversos" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:

  • Os efeitos adversos dos ICIs estão relacionados à hiperativação do sistema imunológico e são chamados de eventos adversos imunomediados. Podem surgir em até 40% dos pacientes e qualquer órgão pode ser acometido.
  • As manifestações cutâneas são as mais comuns. A apresentação mais frequente é de exantema pruriginoso localizado. Em segundo lugar, em frequência estão os efeitos endocrinológicos, principalmente o hipotireoidismo. A tabela 2 descreve os eventos com detalhes acerca de incidência, apresentação clínica e investigação.
  • Um dos principais fatores que guia a suspeita é o tempo de exposição ao tratamento.
  • A primeira etapa no manejo é classificar a gravidade do evento. A ferramenta mais utilizada é a Common Terminology Criteria for Adverse Events (CTCAE). O tratamento se baseia em suspender o inibidor de checkpoint e iniciar imunossupressão, que deve ser mais intensa conforme a gravidade.
  • Em eventos de grau 3 e 4, o inibidor de checkpoint deve ser suspenso permanentemente e iniciado corticoide em doses elevadas.