Edição #147 - Escolha dos Editores 2025
Medicina de Emergência, Intensiva e Hospitalar: Escolha dos Editores 2025
Esse especial de fim de ano reúne os melhores conteúdos de medicina de emergência, intesiva e hospitalar publicados no Guia em 2025, selecionados por impacto na prática dos assinantes. Atualizações que mudam conduta, revisões objetivas e pontos-chave.
ACLS 2025: Consensos Americano e Europeu
Veja a revisão "ACLS 2025: Consensos Americano e Europeu" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:
- O suporte básico de vida, constituído pelas manobras de compressão cardíaca, ventilação e desfibrilação precoce, é a intervenção mais importante na PCR extra-hospitalar. A AHA pontua que as prioridades no atendimento de uma PCR são: desfibrilar um ritmo chocável precocemente; iniciar manobras de compressão cardíaca de alta qualidade e identificar a etiologia de PCR.
- A primeira conduta diante de uma suspeita de PCR é acionar ajuda, direcionando alguém a buscar um desfibrilador externo automático (DEA) e a comunicar o serviço de emergência. Após o pedido de ajuda, deve-se verificar um pulso central, como o carotídeo, por pelo menos 5 segundos e, no máximo, 10 segundos. Na ausência de pulso, as compressões torácicas devem ser iniciadas imediatamente, seguindo a sequência C-A-B (compressões, via aérea, ventilação). Caso a ventilação não seja possível, as compressões devem ser mantidas continuamente, reduzindo as interrupções ao mínimo necessário.
- Quando indicada, a desfibrilação deve ser realizada o mais precocemente possível. Estima-se que cada minuto de atraso na desfibrilação esteja associado a uma redução de cerca de 6% na sobrevida. Durante as compressões, deve-se avaliar a qualidade das manobras, buscar ativamente causas reversíveis da PCR e obter um acesso vascular. Quando não for possível um acesso vascular, pode-se adquirir um acesso intraósseo.
- Pausas durante as compressões devem durar o mínimo possível. A interrupção deve ocorrer para realizar três ações prioritárias: avaliação imediata do ritmo cardíaco; verificação rápida de pulso (somente se houver ritmo organizado) e aplicação de choque caso o ritmo seja FV ou TVSP.
- Na presença de linha reta no monitor, deve-se avaliar cabos e possíveis desconexões do aparelho, realizar aumento do ganho de amplitude para avaliar a presença de FV fina e modificar a derivação. Apenas após essas etapas deve-se considerar a linha reta como assistolia.
- Apenas ritmos de FV e TVSP são considerados chocáveis e devem ser desfibrilados quanto antes. Antes da aplicação do choque, a segurança da equipe deve ser garantida afastando máscara e fontes de oxigênio. Deve-se avisar verbalmente à equipe com contagem regressiva para aplicação do choque.
- Após a desfibrilação, não se deve checar o pulso ou o ritmo cardíaco imediatamente. As compressões torácicas devem ser retomadas.
- Ainda não há consenso entre diretrizes sobre o manejo de casos de FV/TVSP refratárias (manutenção do ritmo após terceiro choque). O ERC sugere a mudança do vetor das pás como opção e recomenda contra a desfibrilação sequencial com dois pares de pás devido ao risco de segurança da equipe. A AHA não se posiciona, indicando ausência de evidências robustas para a realização de recomendações.
- Capnografia e PAI podem auxiliar durante a RCP como preditores de RCE e da qualidade das compressões. Dispositivos de feedback (audiovisuais ou sensores de força) são estimulados para treinamentos, mas não possuem evidência de melhora da qualidade da RCP durante atendimento médico. A compressão torácica por dispositivos autônomos (ex: LUCAS) pode ser utilizada em cenários de difícil realização de RCP, como durante transporte. O uso do ECMO é validado e deve ser feito conforme protocolos em centros de referência.
- As diretrizes diferem sobre o momento para realização de adrenalina em ritmos chocáveis, carga elétrica para cardioversão em taquiarritmias e manejo do paciente com monitoramento invasivo. A tabela 3 resume os principais pontos e atualizações dos documentos de 2025.
Medicamentos na Parada Cardiorrespiratória (PCR)
Veja o tópico "Medicamentos na Parada Cardiorrespiratória (PCR)" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:
- A adrenalina na PCR é administrada na dose de 1 mg a cada 3-5 minutos. O medicamento entra no 1º ciclo nos ritmos não chocáveis e no 2º ciclo nos chocáveis, após a segunda desfibrilação se o ritmo persistir. Existe associação com pior desfecho quando usada muito precocemente após a desfibrilação, possivelmente por aumentar a demanda miocárdica em causas tipicamente cardíacas.
- Amiodarona deve ser administrada em no máximo duas doses, por via intravenosa ou intraóssea. A primeira dose é de 300 mg e a segunda dose de 150 mg, aplicada 3 a 5 minutos após a primeira. A administração deve ser feita em bolus, o que só pode ser feito em situação de PCR.
- A alteplase pode ser considerada durante a PCR quando há suspeita de tromboembolismo pulmonar como causa. A diretriz da European Society of Cardiology (ESC) cita o esquema de 0,6 mg/kg em 15 minutos (dose máxima de 50 mg), mas não há consenso sobre a melhor posologia nesse cenário.
Nova Diretriz de Hipertensão Arterial no Paciente Internado
Veja o tópico "Nova Diretriz de Hipertensão Arterial no Paciente Internado" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:
- A diretriz da American Heart Association (AHA) é o primeiro posicionamento de sociedade sobre o manejo da elevação da pressão arterial no paciente internado e no departamento de emergência. O documento retira os termos “crise hipertensiva” e “urgência hipertensiva” para evitar tratamento precipitado sem benefício comprovado e reforça que a emergência hipertensiva é definida pela presença de lesão de órgão-alvo (LOA), não apenas pelo valor da pressão.
- O primeiro passo da avaliação do paciente com pressão elevada confirmada, especialmente acima de 180/110–120 mmHg, é procurar por evidências de LOA. Na presença de LOA, deve-se iniciar prontamente o tratamento para reduzir a pressão arterial.
- Após descartar LOA, a abordagem recomendada para o paciente com pressão arterial elevada é avaliar se a aferição foi feita corretamente, identificar causas reversíveis, interromper ou reconsiderar medicamentos que contribuem com a elevação da pressão arterial e reconciliar medicamentos de uso contínuo do paciente.
- A diretriz recomenda evitar o uso de medicamentos intravenosos ou sob demanda (“se necessário”) para controle da pressão arterial em pacientes assintomáticos. Essa intervenção está associada a piores desfechos, como diminuição excessiva da pressão arterial, eventos cardiovasculares e injúria renal aguda.
Intoxicação por Metanol
Veja o tópico "Intoxicação por Metanol" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:
- Deve-se suspeitar de intoxicação por metanol em pacientes com história de ingestão alcoólica que apresentam após 6 - 12 horas um ou mais dos seguintes sintomas: manifestações visuais (como amaurose, diplopia e escotomas), piora ou persistência de rebaixamento do nível de consciência, ataxia, dor abdominal, náuseas ou vômitos. Todo caso suspeito deve ser notificado.
- O diagnóstico definitivo com a dosagem sérica de metanol pode não estar disponível a tempo, portanto o diagnóstico presuntivo deve ser realizado com base em clínica sugestiva (como ingestão de álcool associada a alterações visuais) e alterações laboratoriais (acidose metabólica com anion gap elevado associado). Aumento do gap osmolar sugere o diagnóstico, mas níveis normais não excluem a hipótese de intoxicação por metanol.
- O tratamento deve ser iniciado na suspeita clínica e se baseia em quatro pilares: correção da acidose com bicarbonato para pacientes com pH < 7,3; uso dos antídotos fomepizol ou etanol; hemodiálise se o paciente apresentar alterações visuais, pH < 7,1 metanol sérico > 50 mg/dL ou estimativa de ingesta de metanol > 30 mL; uso do ácido folínico 1 mg/kg (máx: 50mg) a cada 4 ou 6 horas.
Reações Adversas ao Uso de Contraste Iodado: Consenso da ACR e Diretriz Europeia de 2025
Veja o tópico "Reações Adversas ao Uso de Contraste Iodado: Consenso da ACR e Diretriz Europeia de 2025" para mais informações. Clique aqui e veja no vídeo. Aqui um breve resumo dos pontos mais importantes:
- Reação adversa ao contraste iodado é um termo abrangente que inclui reações de hipersensibilidade, fisiológicas, toxicidade (ex: nefropatia induzida por contraste), extravasamento e hipervolemia. As reações de hipersensibilidade e fisiológicas podem ocorrer imediatamente após a infusão de contraste e são estratificadas conforme a gravidade.
- Reações moderadas, como edema de face e broncoespasmo, merecem tratamento sintomático e monitorização pelo risco de evolução para formas graves. Formas graves como a anafilaxia são os eventos de maior risco aos pacientes e devem ser reconhecidas e tratadas imediatamente. Na dúvida entre uma reação fisiológica e de hipersensibilidade, deve-se tratar como hipersensibilidade.
- Para pacientes com histórico de reação adversa imediata grave ao contraste iodado, primeiro deve-se tentar uma alternativa que não envolva um exame contrastado. Se não for possível, o novo consenso da ACR recomenda a troca do agente iodado para o novo exame e considerar pré-medicação.
- A pré-medicação não é recomendada para prevenir reações imediatas leves.
- Não há correlação entre alergia a frutos-do-mar ou “alergia a iodo” com reações adversas por contraste.