Edição #171
KDIGO 2026 de Injúria Renal Aguda: Tratamento e Prevenção
A Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) publicou o rascunho da atualização da diretriz de práticas clínicas sobre injúria renal aguda após 14 anos de sua última versão [1]. Este tópico aborda o tratamento, a terapia renal substitutiva, a prevenção e o acompanhamento. O documento é um rascunho para revisão por pares da comunidade científica e o conteúdo pode mudar. Este tópico pode ser modificado após a publicação da versão definitiva.
O tópico "KDIGO 2026 de Injúria Renal Aguda: Diagnóstico e Nefrotoxicidade" aborda definições, diagnóstico, estratificação de risco, avaliação etiológica e nefrotoxicidade.
Manejo hemodinâmico
As principais medidas de prevenção e tratamento da injúria renal aguda (IRA) estão relacionadas ao manejo hemodinâmico e de fluidos do paciente. O KDIGO 2026 recomenda como medidas para proteção renal:
- Descontinuidade de agentes nefrotóxicos, se possível
- Otimização do estado volêmico e da pressão de perfusão
- Considerar monitorização hemodinâmica avançada e monitorização frequente dos biomarcadores de lesão renal
O documento sugere uma pressão arterial média (PAM) > 65 mmHg como meta para orientar a administração de fluidos e vasopressores em pacientes com IRA ou em alto risco (recomendação 2C). Metas mais altas ou mais baixas podem ser consideradas em indivíduos com valores de pressão arterial cronicamente mais elevados ou reduzidos, respectivamente. Veja mais em "Choque Circulatório: Nova Diretriz Europeia de Abordagem e Monitoramento Hemodinâmico".
Avaliações clínicas seriadas dos sinais vitais, do débito urinário, do estado mental e da perfusão periférica são recomendadas. Estratégias adicionais de monitorização hemodinâmica, incluindo ecocardiografia e métodos invasivos ou minimamente invasivos, podem ser utilizadas de acordo com o contexto clínico e os recursos disponíveis. Veja mais em "Fluidos, Fluido-Responsividade e Fluido-Tolerância".
Reposição de fluidos
O KDIGO 2026 recomenda o uso de cristaloides e não coloides para expansão volêmica inicial (recomendação 1B). Além de menor custo, os cristaloides apresentam eficácia semelhante à albumina e superior aos coloides artificiais na prevenção de IRA e da necessidade de terapia renal substitutiva (TRS) [2,3]. Coloides sintéticos também foram associados a maior mortalidade [3]. Uma exceção é o choque hemorrágico, em que os hemocomponentes são os fluidos de escolha para a ressuscitação.
Dentre os cristaloides, e na ausência de trauma cranioencefálico, o documento recomenda o uso de soluções balanceadas, como o ringer lactato, ao invés da salina a 0,9%. As evidências sobre o tema são conflitantes, com a maior parte dos estudos demonstrando desfechos semelhantes e ausência de superioridade comprovada [4,5]. Por outro lado, há uma tendência consistente de benefício dos cristaloides balanceados em mortalidade e desfechos renais, especialmente em subgrupos como pacientes sépticos e naqueles que recebem grandes volumes [6,7]. Outras diretrizes também recomendam, de forma condicional, o uso de cristaloides balanceados [8,9]. O racional envolve a plausibilidade biológica, com redução da acidose hiperclorêmica, custo semelhante e potencial benefício em escala populacional.
As soluções balanceadas são ligeiramente hipotônicas e foram associadas a maior risco de edema cerebral e mortalidade nos pacientes com trauma cranioencefálico, o que justifica a recomendação [6,7,10]. Nesse cenário, deve-se individualizar a escolha do fluido utilizado.
Na impossibilidade de expansão volêmica por via intravenosa e na escassez de recursos, recomenda-se oferecer terapia de reidratação oral como tratamento de primeira linha para desidratação leve a moderada.
O objetivo da expansão volêmica na IRA é restaurar e manter a euvolemia, otimizando a perfusão renal sem provocar sobrecarga hídrica [11]. Como esses pacientes apresentam maior risco de oligúria e retenção de fluidos, a administração de volume deve ser criteriosa, guiada por reavaliações frequentes.
Em adultos submetidos a cirurgia abdominal eletiva de grande porte, o KDIGO recomenda preferir um balanço hídrico positivo de 1 a 2 kg em 24 h após a cirurgia (recomendação 1B). O estudo RELIEF demonstrou que a estratégia restritiva de balanço hídrico neutro aumentou o risco de IRA nesses pacientes [12].
Uso de drogas vasoativas
A escolha da droga vasoativa na IRA deve ser guiada pela etiologia do choque hemodinâmico, visando manter a perfusão periférica adequada e a meta de PAM > 65 mmHg, na maioria dos casos. A noradrenalina é, em geral, o vasopressor mais utilizado. A angiotensina II está associada a mais dias livres de TRS em pacientes com choque vasoplégico refratário em uso de noradrenalina [13]. Veja mais em "Noradrenalina: Bulário" e "Vasopressores e Corticoide no Choque Séptico".
O KDIGO 2026 também recomenda contra o uso de dopamina em baixa dose para proteção renal. O racional fisiológico do seu uso é que a ativação dos receptores dopaminérgicos aumenta o fluxo sanguíneo renal, sugerindo aumento da taxa de filtração glomerular (TFG). No entanto, nenhum benefício foi demonstrado com essa estratégia em ensaios clínicos [14].
Uso de diuréticos
Sugere-se o uso de diuréticos em pacientes com sobrecarga de fluidos com risco de desenvolver IRA ou já em IRA (recomendação 2B). O KDIGO recomenda a administração em bolus intermitente como estratégia inicial em vez de infusões contínuas. Na ausência de outra indicação para TRS, deve-se preferir, inicialmente, o uso de diuréticos como tentativa de remoção de fluidos (recomendação 1C).
A administração em bolus permite avaliar rapidamente a resposta aos diuréticos e facilita o ajuste da dose conforme o débito urinário. O uso de diuréticos em infusão contínua pode ser considerado em pacientes responsivos a diuréticos, com necessidade de manutenção mais frequente da diurese, ou em pacientes com congestão refratária.
Na ausência de resposta adequada, deve-se reavaliar o estado volêmico, considerar o escalonamento da dose e avaliar terapias alternativas (fluxograma 1).
Uso do bicarbonato de sódio na prevenção de TRS
Sugere-se o uso inicial do bicarbonato de sódio para pacientes com IRA e acidose metabólica grave com acidemia com pH < 7,20, a menos que haja outra indicação urgente para TRS (recomendação 2C).
O estudo BICAR ICU-2 não evidenciou redução de mortalidade em pacientes que receberam bicarbonato de sódio neste cenário. No entanto, houve redução significativa da necessidade de TRS no grupo que recebeu bicarbonato, sem aumento de efeitos adversos, o que apoia a recomendação [15]. Vale ressaltar, no entanto, que foi um desfecho secundário e deve ser interpretado com cautela Veja mais em "Bicarbonato no Doente Crítico: Indicações e o BICAR-ICU 2".
Manejo de causas específicas
A IRA não é uma entidade uniforme e, portanto, determinadas etiologias podem necessitar de condutas específicas direcionadas à prevenção e ao manejo destas entidades. A tabela 1 resume as causas de injúria renal aguda, como identificá-las e o tratamento específico.
Síndrome Hepatorrenal
Para pacientes com IRA associada à síndrome hepatorrenal, recomenda-se uso de terapia vasoconstritora (recomendação 1C). A preferência é pela terlipressina ou noradrenalina, sendo a associação de midodrina e octreotida uma alternativa em caso de indisponibilidade ou contraindicação. Veja mais em "Novo Consenso de Síndrome Hepatorrenal".
Síndrome de Lise Tumoral (SLT)
A síndrome de lise tumoral é uma complicação associada ao tratamento oncológico. Para prevenir ou manejar a IRA neste cenário, recomenda-se expansão volêmica com cristaloides, a fim de garantir fluxo urinário adequado e reduzir a precipitação de cristais nos túbulos renais. Esses pacientes podem desenvolver nefropatia por cristais de ácido úrico, cálcio-fosfato e xantina (esta última, principalmente em pacientes em uso de alopurinol). Não há evidências que favoreçam um tipo específico de cristaloide.
O documento recomenda contra a alcalinização da urina, pois não reduz o risco de IRA e pode aumentar a formação de cristais de cálcio-fosfato (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15211124/). Veja mais em "Síndrome de Lise Tumoral".
Rabdomiólise
O documento favorece a expansão volêmica com cristaloides para a prevenção e o manejo da IRA na rabdomiólise, visando reduzir a precipitação de pigmentos nos túbulos renais. Não há evidência de superioridade entre os cristaloides (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17384382/).
Gestação
A IRA na gestação pode estar associada a condições obstétricas específicas, como hiperêmese gravídica, pré-eclâmpsia e síndrome HELLP, ou decorrer de causas não restritas à gravidez, como sepse (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40956544/). O manejo deve priorizar simultaneamente a estabilização materna e a avaliação do bem-estar fetal, com atenção à volemia, às metas pressóricas e à segurança dos medicamentos (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40681846/).
Nos casos de pré-eclâmpsia grave, síndrome HELLP ou esteatose hepática aguda da gestação, o parto frequentemente constitui o tratamento definitivo e seu momento deve ser individualizado por uma equipe multidisciplinar (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40681846/). Quando indicada, a terapia de substituição renal não deve ser postergada devido à gestação.
Infecções e exposições ambientais
O documento também destaca a importância de reconhecer causas infecciosas e exposições ambientais. Nas infecções tropicais, o tratamento da infecção subjacente é fundamental, como antimaláricos para malária, antibióticos para leptospirose e medidas de suporte, especialmente hídricas, para doenças diarreicas ou dengue, por exemplo (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36207807/).
Remédios à base de plantas, pesticidas, álcoois e outros agentes tóxicos podem causar IRA, e o diagnóstico é frequentemente dificultado pela subnotificação, sintomas inespecíficos e contaminação por outras substâncias, como metais pesados (chumbo, mercúrio) ou adulterantes (metanol, etilenoglicol) (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40352902/). O reconhecimento depende da epidemiologia local e da avaliação das exposições de risco, muitas vezes requerendo manejo e antídotos específicos.
Terapia renal substitutiva
Indicações de terapia renal substitutiva e momento de início
As indicações clássicas de TRS em pacientes com IRA incluem uremia sintomática, intoxicação, hipercalemia grave, acidemia grave e/ou sobrecarga de volume refratárias ao tratamento clínico (tabela 2). Veja mais em "Urgências Dialíticas".
O momento ideal para o início da diálise em pacientes com IRA é tema de debate na literatura. O KDIGO 2026 recomenda uma estratégia de início tardio da TRS em vez de início precoce (recomendação 1C). Há heterogeneidade na definição do que é considerado precoce ou tardio. Em geral, considera-se precoce iniciar a diálise antes que as indicações clássicas para diálise estejam presentes. Parece não haver superioridade na estratégia precoce, com possível maior número de eventos adversos e maior custo (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32668114/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27181456/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32334654/).
Em pacientes críticos com IRA e alteração do nível de consciência, o documento sugere considerar uma tentativa de TRS de duração limitada se as complicações urêmicas ou metabólicas estiverem comprometendo a avaliação adequada do estado neurológico ou da probabilidade de despertar do coma. O fluxograma 2 apresenta o algoritmo proposto pelo KDIGO 2026 para a decisão sobre o início de TRS.
Escolha da modalidade de terapia renal substitutiva
As modalidades de TRS disponíveis incluem terapia contínua (CRRT), hemodiálise intermitente convencional, hemodiálise intermitente prolongada (por exemplo, Sustained Low-Efficiency Dialysis, SLED) ou diálise peritoneal aguda.
A escolha pela modalidade deve integrar as características do paciente, o contexto clínico, a experiência local e a disponibilidade de recursos. Nenhuma modalidade de TRS demonstrou superioridade clara até o momento (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28525779/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17636735/).
Em pacientes críticos e hemodinamicamente instáveis, sugere-se TRS contínua ou diálise peritoneal (recomendação 2C). Não há superioridade em relação à mortalidade, à recuperação da função renal ou ao tempo de internação, sendo a recomendação baseada no racional de remoção mais gradual de solutos e de ultrafiltração, favorecendo maior estabilidade hemodinâmica e reduzindo o risco de hipotensão intradialítica, condição que pode agravar a lesão renal e retardar sua recuperação (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25407408/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39476648/).
O documento destaca que na indisponibilidade de terapias contínuas, a hemodiálise intermitente prolongada, como a SLED, é uma alternativa. Tal modalidade também promove remoção mais lenta de solutos e fluidos (em 6 as 12 horas, por exemplo, comparada a 3 a 4 horas da hemodiálise intermitente convencional), reduzindo riscos de hipotensão intradialítica e com desfechos semelhantes às terapias contínuas (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25843704/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28128881/).
As terapias contínuas também são preferíveis em pacientes com lesão cerebral aguda, ou sob risco de aumento da pressão intracraniana e/ou de edema cerebral. Tal recomendação é baseada em plausibilidade fisiológica, ensaios pequenos e dados observacionais (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10440514/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18642649/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15318947/)
Na encefalopatia hepática (grau ≥ 2) devido à insuficiência hepática aguda ou crônica agudizada, a TRS contínua pode ser considerada para o controle da hiperamonemia. A TRS contínua reduz os níveis de amônia e pode reduzir a mortalidade, sendo também recomendada por outras sociedades, como o Colégio Americano de Gastroenterologia (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37377263/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28859230/).
Acessos vasculares
O documento também fornece recomendações sobre os acessos para diálise. Em geral, pacientes com IRA e necessidade de TRS utilizam cateteres de curta permanência. Fístulas arteriovenosas prévias podem ser utilizadas em terapias intermitentes, porém seu uso deve ser evitado em terapias contínuas devido ao maior risco de complicações associadas à canulação prolongada.
Em pacientes com baixa probabilidade de recuperação da função renal e que permanecem dependentes de diálise próximos à alta hospitalar, recomenda-se a transição para um cateter tunelizado de longa permanência.
Descontinuação da terapia substitutiva renal
Não há consenso sobre qual é o melhor parâmetro para determinar a descontinuação da TRS em pacientes com IRA. Diversos fatores podem orientar a decisão, como os valores de creatinina entre diálises, o equilíbrio hidroeletrolítico e o débito urinário. O documento sugere o término da TRS quando a função renal for adequada para atender às demandas metabólicas e de equilíbrio hídrico do paciente.
O KDIGO 2026 comenta que em adultos, o débito urinário > 450 ml/24 horas sem exposição a diuréticos e > 2300 ml/24 horas com exposição, e a depuração de creatinina cronometrada de 2 horas ≥ 23 ml/min podem ser usados para prever a descontinuação bem-sucedida da TRS (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23102534/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40629374/).
A TRS também pode ser interrompida se não for mais compatível com as preferências do paciente quanto aos seus cuidados.
Nos pacientes com IRA em TRS, uma estratégia conservadora de hemodiálise, realizada apenas diante de indicações clínicas ou metabólicas, resultou em maior recuperação da função renal na alta hospitalar quando comparada à estratégia convencional de hemodiálise três vezes por semana (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41201895/).
Acompanhamento
O acompanhamento pós-alta deve ser planejado conforme a gravidade da IRA, a recuperação da função renal, as comorbidades e as vulnerabilidades sociais. A transição do cuidado deve incluir comunicação efetiva entre as equipes hospitalares e ambulatoriais, bem como a educação do paciente.
Recomenda-se acompanhamento ambulatorial, com retorno, especialmente em 3 meses após a alta, para verificar a resolução da IRA ou a progressão de doença renal crônica (DRC). No retorno, sugere-se avaliação da função renal, da albuminúria, da pressão arterial, do estado volêmico e revisão das medicações.
Pacientes hospitalizados que desenvolveram IRA apresentam maior risco de DRC nova ou progressiva, de DRC terminal, de hipertensão arterial e de morte (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30473140/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26134154/, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29773712/). Ao ajustar os desfechos ao grau de recuperação da função renal e à proteinúria aos 3 meses após a alta, os riscos são atenuados, o que demonstra a importância da reavaliação no contexto ambulatorial para o prognóstico (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32707221/).
Os medicamentos que forem interrompidos devem ser comunicados ao paciente, registrados no prontuário e deve-se estabelecer um plano para o reinício. Recomenda-se o início ou o retorno precoce do uso de IECA ou BRA em adultos, a menos que haja contraindicação, visando melhores desfechos (recomendação 1B) (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41893841/). Pacientes também devem ser ativamente avaliados quanto às indicações para iniciar ou retomar inibidores de SGLT2, agonistas do receptor de GLP-1 e antagonistas dos receptores mineralocorticoides.
Sugere-se ainda o uso de ferramentas para identificar doentes com alto risco de DRC, que podem beneficiar-se do acompanhamento do nefrologista (recomendação 2D). Um exemplo é a “Advanced CKD after AKI Risk Index”, uma calculadora derivada de uma coorte canadense que identificou possíveis variáveis associadas ao desenvolvimento de DRC após hospitalização por IRA e que requer mais estudos de validação externa (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29136443/).
Prevenção da IRA
Para prevenção de IRA causada por hipovolemia, sugere-se a suspensão temporária de classes específicas de medicamentos no contexto de doenças agudas que predispõem à depleção de volume, como diuréticos e anti-hipertensivos (recomendação 2D). O grupo internacional PAUSE publicou um consenso científico com orientações para o manejo dos chamados "sick days" (tabela 3) (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36470530/).
Em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca e não portadores de DRC, sugere-se ainda a administração profilática de aminoácidos endovenosos para prevenção de IRA (recomendação 2A) (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39447274/). Os aminoácidos intravenosos exercem proteção renal por meio do recrutamento da reserva funcional renal, aumentando a taxa de filtração glomerular em até 30%, porém sem benefício comprovado em outros cenários (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25925203/).