A classificação de fluxo coronariano TIMI (do inglês, Thrombolysis In Myocardial Infarction) é uma escala utilizada para descrever a velocidade e a extensão do fluxo sanguíneo através das artérias coronárias. Foi publicada em 1985 para registrar a perfusão epicárdica na angiografia coronariana (cateterismo) e avaliar o sucesso do tratamento trombolítico. Atualmente é utilizada também para avaliar o sucesso na angioplastia percutânea.
Essa classificação ajuda a avaliar a reperfusão, ou seja, o quanto o sangue consegue passar por uma artéria obstruída.
Classificação TIMI de fluxo coronariano:
- TIMI 0: sem perfusão. Não há fluxo além do ponto de obstrução.
- TIMI 1: penetração sem perfusão. Pequena quantidade de contraste ultrapassa a obstrução, mas sem preencher totalmente a artéria distal.
- TIMI 2: perfusão parcial. O contraste passa pela obstrução e preenche o leito distal, mas com velocidade reduzida em relação ao normal.
- TIMI 3: perfusão normal. Fluxo completo e rápido, semelhante ao de uma artéria coronária sem obstrução.
Essa classificação tem importância prognóstica. Pacientes com fluxo TIMI 3 apresentam menor mortalidade e menor incidência de insuficiência cardíaca. O fluxo TIMI 2 apresenta desfechos semelhantes ao fluxo 0 e 1. Dessa forma, a reperfusão é considerada subótima quando há fluxo TIMI < 3.
Importante diferenciar que a classificação de fluxo TIMI avalia a circulação das grandes artérias epicárdicas. A perfusão da musculatura cardíaca se dá pela microcirculação coronariana, essa avaliada pelo blush de contraste.
O termo “slow flow” refere-se ao fluxo TIMI 1-2, ou seja, uma redução da velocidade do fluxo na coronária epicárdica. É possível ter fluxo epicárdico TIMI 3 com blush 0 ou 1, o que indica “no-reflow”: a artéria está desobstruída, mas o sangue não está chegando à microcirculação. Um fluxo ruim na microcirculação tem pior prognóstico do que o fluxo epicárdico.
Referências:
- Chesebro JH, Knatterud G, Roberts R, Borer J, Cohen LS, Dalen J, Dodge HT, Francis CK, Hillis D, Ludbrook P. Thrombolysis in Myocardial Infarction (TIMI) Trial, Phase I: A comparison between intravenous tissue plasminogen activator and intravenous streptokinase. Clinical findings through hospital discharge. Circulation. 1987.
- Vogt A, von Essen R, Tebbe U, Feuerer W, Appel KF, Neuhaus KL. Impact of early perfusion status of the infarct-related artery on short-term mortality after thrombolysis for acute myocardial infarction: retrospective analysis of four German multicenter studies. J Am Coll Cardiol. 1993.
- Anderson JL, Karagounis LA, Becker LC, Sorensen SG, Menlove RL. TIMI perfusion grade 3 but not grade 2 results in improved outcome after thrombolysis for myocardial infarction. Ventriculographic, enzymatic, and electrocardiographic evidence from the TEAM-3 Study. Circulation. 1993.
- Gibson CM, Cannon CP, Murphy SA, Ryan KA, Mesley R, Marble SJ, McCabe CH, Van De Werf F, Braunwald E. Relationship of TIMI myocardial perfusion grade to mortality after administration of thrombolytic drugs. Circulation. 2000.