Lesão Pulmonar Induzida pelo Ventilador (VILI, do inglês ventilator-induced lung injury) é a lesão pulmonar causada ou agravada pela ventilação mecânica, especialmente quando são usados volumes correntes elevados, pressões pulmonares elevadas ou baixos níveis de PEEP que levam a colapso cíclico de unidades alveolares. Ocorre em maior frequência em pacientes com síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA).
Os principais mecanismos fisiopatológicos da VILI incluem:
- Volutrauma: lesão causada pela hiperinsuflação alveolar devido ao uso de volumes correntes elevados, levando à distensão excessiva dos alvéolos e aumento da permeabilidade da barreira alveolocapilar, resultando em edema pulmonar e infiltração de células inflamatórias.
- Atelectrauma: dano decorrente da abertura e fechamento repetitivo dos alvéolos durante o ciclo respiratório, especialmente em regiões pulmonares heterogêneas ou com atelectasia. Esse processo gera estresse mecânico local, favorecendo disfunção do surfactante, inflamação e progressão da lesão.
- Barotrauma: lesão provocada por pressões elevadas nas vias aéreas, podendo causar ruptura alveolar, pneumotórax ou enfisema intersticial.
- Biotrauma: resposta inflamatória sistêmica desencadeada pela liberação de mediadores inflamatórios a partir do pulmão lesado, com potencial para causar disfunção de múltiplos órgãos.
A prevenção de VILI envolve estratégias de ventilação protetora, como o uso de baixos volumes correntes (6mL/kg de peso ideal), limitação de pressão de platô (< 30 cmH2O), ajuste individualizado de PEEP.
Referências: