Shunt

Atualizado em: 30 de Junho de 2026

É o mecanismo de hipoxemia no qual o sangue venoso do lado direito do coração entra na circulação sistêmica (lado esquerdo) sem participar de qualquer troca gasosa. Representa o grau extremo do desajuste ventilação-perfusão (V/Q). Uma pequena fração existe normalmente, entre 2 e 3% do débito cardíaco, pela drenagem das veias brônquicas e mediastinais direto nas câmaras esquerdas.  

A marca clínica que diferencia o shunt dos outros mecanismos de hipoxemia é a refratariedade à oxigenoterapia. Como o sangue passa por unidades não ventiladas, aumentar a FiO2 não eleva a concentração de oxigênio no sangue de forma proporcional. O shunt se divide em dois subgrupos: shunt verdadeiro e shunt fisiológico. 

Shunt verdadeiro (shunt anatômico): Situação em que o sangue desvia mecânicamente dos alvéolos, impossibilitando qualquer troca gasosa. Pode ser intracardíaco, com defeitos como comunicação interatrial, interventricular e forame oval patente ou intrapulmonar, decorrente de malformações arteriovenosas ou atelectasias. 

Shunt fisiológico: Resulta do desequilíbrio na relação ventilação-perfusão, em que o sangue ainda perfunde alvéolos ventilados, mas de forma insuficiente para garantir a oxigenação adequada, respondendo parcialmente ao oxigênio suplementar. Esse fenômeno pode ocorrer na pneumonia e no edema agudo de pulmão extensos, mas nesses contextos não ocorrerá dúvida diagnóstica quanto à causa da hipoxemia, já que o parênquima pulmonar estará nitidamente acometido. Uma situação que pode gerar um shunt fisiológico com parênquima pulmonar sem alterações é a síndrome hepatopulmonar


Referências:

  1. Sarkar M, Niranjan N, Banyal PK. Mechanisms of hypoxemia. Lung India. 2017.
  2. Cressoni M, Caironi P, Polli F, Carlesso E, Chiumello D, Cadringher P, Quintel M, Ranieri VM, Bugedo G, Gattinoni L. Anatomical and functional intrapulmonary shunt in acute respiratory distress syndrome. Crit Care Med. 2008.

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