Stents metálicos e stents farmacológicos

Atualizado em: 07 de Março de 2026

A angioplastia com balão foi introduzida na década de 1970 e permitiu o tratamento de lesões coronarianas sem a necessidade de cirurgia. Essa intervenção consiste em inflar um balão dentro da coronária, sem colocação de stent. Existem duas limitações principais para essa técnica: oclusão aguda do vaso (por recolhimento elástico e dissecção arterial) e reestenose (por remodelamento negativo e hiperplasia neointimal).

A introdução dos stents metálicos na década de 1990 reduziu parte dessas complicações. Ao fornecerem uma estrutura metálica permanente, minimizam o recolhimento elástico e dissecções, reduzindo a oclusão aguda do vaso. No entanto, a presença de um corpo estranho metálico intravascular pode desencadear uma resposta de cicatrização exacerbada (hiperplasia neointimal), resultando em reestenose intra-stent. Esses stents também são chamados de convencionais ou não farmacológicos.

O desenvolvimento de stents farmacológicos de 1ª geração ocorreu na tentativa de mitigar a reestenose associada aos stents metálicos. Os stents farmacológicos de 1ª geração liberam medicamentos antiproliferativos (por exemplo, sirolimus e paclitaxel) a partir de um revestimento polimérico. Contudo, esses stents aumentam o risco de trombose tardia (após 31 dias e antes de 1 ano) e muito tardia (após 1 ano) do stent, em parte por atraso de cicatrização/endotelização associado à estrutura do dispositivo e aos polímeros. Essa complicação é rara, porém muito grave, com taxas de mortalidade entre 20 e 40%.

Stents farmacológicos de 2ª geração surgiram com várias modificações para minimizar o risco de trombose de stent. Esses dispositivos têm hastes mais finas, polímeros mais biocompatíveis e fármacos diferentes (como everolimus e zotarolimus). Esses aprimoramentos aceleram a cicatrização vascular e reduzem a inflamação local, alcançando taxas de trombose menores. Os stents 3ª geração buscam melhora adicional com hastes ultrafinas e/ou polímeros biodegradáveis.

A denominação de stents farmacológicos contemporâneos costuma significar stents farmacológicos de 2ª geração ou mais novos. O uso do termo pode mudar conforme o autor.


Referências:

  1. Piccolo R, Bonaa KH, Efthimiou O, Varenne O, Baldo A, Urban P, Kaiser C, Remkes W, Räber L, de Belder A, van 't Hof AWJ, Stankovic G, Lemos PA, Wilsgaard T, Reifart J, Rodriguez AE, Ribeiro EE, Serruys PWJC, Abizaid A, Sabaté M, Byrne RA, de la Torre Hernandez JM, Wijns W, Jüni P, Windecker S, Valgimigli M, Coronary Stent Trialists' Collaboration. Drug-eluting or bare-metal stents for percutaneous coronary intervention: a systematic review and individual patient data meta-analysis of randomised clinical trials. Lancet. 2019.
  2. Nicolas J, Pivato CA, Chiarito M, Beerkens F, Cao D, Mehran R. Evolution of drug-eluting coronary stents: a back-and-forth journey from the bench to bedside. Cardiovasc Res. 2023.
  3. Giustino G, Colombo A, Camaj A, Yasumura K, Mehran R, Stone GW, Kini A, Sharma SK. Coronary In-Stent Restenosis: JACC State-of-the-Art Review. J Am Coll Cardiol. 2022.
  4. Byrne RA, Stone GW, Ormiston J, Kastrati A. Coronary balloon angioplasty, stents, and scaffolds. Lancet. 2017.

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