O sistema imune inato, por meio das células apresentadoras de antígeno, ativa o sistema imune adaptativo. A partir de citocinas, também induz a diferenciação de linfócitos T auxiliares (Th). Essa diferenciação ocorre em três perfis principais: tipo 1, tipo 2 e tipo 3.
- Inflamação tipo 1: diferenciação do linfócito T auxiliar em Th1, associada ao IFN-γ e à ativação de macrófagos. Está relacionada sobretudo à proteção contra patógenos intracelulares, como vírus e algumas bactérias.
- Inflamação tipo 2: diferenciação do linfócito T auxiliar em Th2, associada à produção de interleucinas 4, 5 e 13, eosinófilos e IgE. Está relacionada à defesa contra helmintos e à resposta a alérgenos ambientais.
- Inflamação tipo 3: diferenciação do linfócito T auxiliar em Th17, associada à produção de IL-17 e ao recrutamento de neutrófilos. Está relacionada à proteção contra bactérias e fungos extracelulares.
- Importância na asma
Na asma, os pacientes podem ser divididos em fenótipos tipo 2 (ou T2 alto) e não tipo 2 (ou T2 baixo) a depender do tipo de inflamação predominante. Essa divisão auxilia na escolha do tratamento em casos refratários, já que algumas terapias são direcionadas a elementos da inflamação tipo 2, como bloqueio do receptor de IL-4/IL-13 (dupilumabe), bloqueio de IL-5/IL-5R (mepolizumabe, benralizumabe, reslizumabe) e anti-IgE (omalizumabe).
Para identificar se há predomínio de inflamação tipo 2, usam-se biomarcadores como a contagem de eosinófilos no sangue, a IgE total (e, quando pertinente, específica), o FeNO (fração exalada de óxido nítrico) e, quando disponível, eosinófilos no escarro. O resultado desses marcadores orientará a escolha da medicação em pacientes com asma refratária.
Já o fenótipo não tipo 2 costuma apresentar menor resposta a corticosteroides, além de ser mais frequente em asma associada à obesidade, tabagismo e exposição a irritantes.
Referências: