TRALI é a sigla para transfusion-related acute lung injury - do inglês, lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão. É um tipo de edema pulmonar não cardiogênico relacionado à transfusão, levando a insuficiência respiratória hipoxêmica. A hipótese para o mecanismo da TRALI é que anticorpos anti-HLA ou anti-neutrófilos do doador presentes no hemocomponente se ligam a antígenos nos vasos pulmonares. Os complexos antígeno-anticorpo causam lesão do parênquima pulmonar em um padrão similar a síndrome da angústia respiratória do adulto (SARA).
O quadro clínico geralmente se inicia nas primeiras seis horas após o início da transfusão. Além de dispneia, febre com ou sem calafrios e hipotensão podem ocorrer. O diagnóstico é clínico e se baseia na presença de SARA sem outro fator causal aparente. A definição de SARA segue conforme os critérios de Berlim:
- Lesão pulmonar em um período de até sete dias
- Infiltrado pulmonar alveolar bilateral
- Relação PaO2/FiO2 < 300
- Quadro clínico não completamente explicado por hipervolemia ou insuficiência cardíaca
Quando existe outra causa de SARA além da transfusão, o diagnóstico de TRALI não pode ser definido com certeza. A temporalidade também ajuda, já que a presença de sintomas respiratórios antes da transfusão coloca o diagnóstico em dúvida. Alguns centros podem realizar dosagem de anticorpos anti-HLA na bolsa de hemocomponente para auxílio diagnóstico. A diferenciação com TACO pode ser difícil, apesar de TACO ser muito mais prevalente que TRALI.
O tratamento envolve pausar transfusão e iniciar medidas de suporte para SARA conforme as diretrizes dessa condição.
Em relação à prevenção, os bancos de sangue brasileiros não utilizam doações de pessoas com fatores de risco para produção de anticorpos anti-HLA ou anti-neutrófilos.
Referências: